Não é o tipo de livro que eu indicaria para crianças, mas caberia facilmente numa lista para adolescentes em fase de vestibular, pois trata justamente da questão que anualmente assola essa faixa etária: fazer o que se gosta ou o que põe o pão na mesa.
Campos Lara, o personagem principal, é um poeta de certo renome que tenta se integrar a vida cotidiana através do casamento e, surge então, o problema de ser obrigado a se vender, ou no caso, a se sustentar através de serviços dignos, porém maçantes. Sua esposa, Maria Rosa, é a mulher que se encarrega de manter o marido com os pés no chão e dos outros afazeres, mas que se encanta com a poesia presente na alma do marido.
Essa dicotomia, o sonho e o real, são conflitantes e se aproximam ao mesmo tempo. A paixão de Campos Lara se revela nos atributos mais terrenos de sua mulher, a de Maria Rosa advém dos sentimentos que a poesia oferecida lhe desperta.
O romance foca então em todos os problemas que esse casal tão díspare enfrenta em seu dia-a-dia. A forma como um aos poucos se endurece com a maturidade e como a outra se enternece mesmo perante a necessidade são reveladores do que por muito tempo foi descrito nas famosas novelas brasileiras: a gentileza e o interesse. É a mania entre a inveja e a arrogância.
É um dos meus livros preferidos.
Recomendo.