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    Bar do Juan -

    Antonio Callado

    Lacerda Editores Ltda
    2008
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-17: ISBN9788573841619
    Português Brasileiro
    3.5
    57 avaliações
    Leram92Lendo15Querem101Relendo1Abandonos5Resenhas2
    Favoritos0Desejados101Avaliaram57

    Antônio Callado faz desse romance sobre a chamada "esquerda festiva" uma continuação de seu clássico "O Quarup". Marcado pela desilusão e pela amargura dos projetos de luta armada entre os setores da esquerda na classe média, o autor narra a vida de um grupo de amigos que se envolve no combate à ditadura em meio à discussões políticas na boemia carioca. Envolvidos na luta armada, mas nas relações amorosas, enredados em conflitos pessoais e políticos, os personagens são autênticos, revelando um quadro bastante rico sobre a resistência contra a ditadura militar brasileira. Com um sentido de crítica às experiências da luta armada, o livro se propõe a pensar quem eram, afinal, esses homens e mulheres que pegaram em armas para lutar pela democracia.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva13/07/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    AQUI, NESSA MESA DE BAR, UM GRANDE LIVRO SOBRE A DITADURA MILITAR NO BRASIL

    Antônio Callado é um de meus escritores favoritos. Fiquei encantado com a profundidade e elegância de sua prosa desde que li “A Madona de Cedro”, que senti ser o equivalente brasileiro de “Crime e Castigo”. Então li “Quarup”, considerado sua obra-prima, que me deixou impactado com uma Literatura vasta como a própria vida. “Reflexos do Baile”, que li em seguida, consegue a proeza de ser ainda mais audacioso e genial, como um suspense hermético que exige inteligência e empenho de seus leitores. E agora, ao terminar feliz e comovido a leitura de “Bar Don Juan”, sinto que fechei uma espécie de trilogia de Antônio Callado. Pois esse livro, de forma ainda mais direta que “Quarup” e “Reflexos do Baile”, tem como tema e pano de fundo a ditadura militar no Brasil. Aliás, fiquei muito surpreso ao descobrir que “Bar Don Juan” foi escrito em 1970 e publicado em 1971, durante o ápice da repressão e da censura. Pois o autor fala abertamente da ditadura, chegando ao ponto de abrir o livro com uma cena impactante: um casal de “subversivos” conversando sobre a tortura que os dois sofreram no porão de uma delegacia, onde um dos policiais estuprou a mulher na frente do marido. Mas não pensem que a história recorre ao dramalhão, e muito menos que cai nas armadilhas da apologia ou do proselitismo. Primeiro, porque Antônio Callado é um mestre da “sutil arte do eufemismo”, como é bem definida a escrita de ficção. Sua prosa é contida e enxuta, sem a menor condescendência com arroubos sentimentais. A leitura nos emociona pela força daquilo que está sendo contado, não por algum sensacionalismo barato (recurso fácil e tentador ao contar uma história que envolve tortura e outros abusos de poder). Em segundo lugar, Antônio Callado é impressionantemente lúcido em sua análise dos movimentos de luta armada e guerrilha no Brasil durante a ditadura militar, expondo sem clemência todo o seu romantismo, despreparo e desconexão com a realidade. Isso torna ainda mais portentoso o fato de esse romance ter sido escrito em 1970. Hoje, pela privilegiada perspectiva do tempo, a leitura de “Bar Don Juan” acentua a trágica ironia do golpe militar de 1964, que teve como pretexto combater os grupos de “subversivos comunistas”, que eram praticamente inexistentes nessa época. Os tais “guerrilheiros” só surgiram mesmo no Brasil depois do golpe militar, justamente como uma pífia – e dolorosamente heroica – tentativa de confrontar a ditadura. E o mais trágico nessa história é que até hoje esse papo furado de “combater o comunismo” continua induzindo muita “gente de bem” a endossar as piores vilanias... Encerro com esse trecho de “Bar Don Juan”, que traz uma tocante descrição da morte de Che Guevara: “Disparou na direção dos tiros mas os tiros saíam das árvores feito pássaros. Correu para lutar perto do Comandante mas o Comandante caiu sobre o joelho direito. Aproximou-se mais e o Comandante levou outro tiro no braço e no fuzil, que eram uma coisa só. A arma da revolução quebrada e jogada fora pela América Latina arriscada de perder seu emprego de criada e puta. Criada e puta, pensava Eustáquio furioso de ver morrer o Comandante no mato do Yuro quando devia ser fuzilado domingo ao meio-dia na frente do maior edifício de New York.” https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2024/07/aqui-nessa-mesa-de-bar-um-grande-livro.html

    24 curtidas

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    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas2%