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    Pátria (Intrínsecos #10) -

    Fernando Aramburu

    Intrínseca
    2019
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9788551004234
    Português Brasileiro
    4.3
    1271 avaliações
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    Favoritos76Desejados2795Avaliaram1271

    Bittori e Miren foram unha e carne, nasceram e cresceram no mesmo povoado do País Basco. Quando jovens, planejaram ser freiras, mas aí o destino colocou Txato e Josian em seu caminho e elas trocaram o hábito por alianças. Já não eram duas amigas, mas sim duas famílias amigas, que viram os filhos crescer e se apoiaram na alegria e na tristeza. Até o dia em que o ETA as separa. Bittori deixará a vila quando seu marido for assassinado pelo grupo terrorista; Miren se transformará numa militante-mãe fervorosa quando o filho Joxe Mari se torna um "etarra". Pátria é sobre o nacionalismo e o fanatismo que dividiram um país, mas é também uma história sobre as relações humanas, e por isso, é uma obra universal. Estão lá as mães devotadas, as picuinhas familiares, os percalços da amizade e do amor, as discordâncias ideológicas e morais. Assim como na vida, há nesse livro espaço para o drama e para o humor, para o ódio e para o afeto.

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    Resenhas (246)Ver mais
    Isabella Wenderroscky picture
    Isabella Wenderroscky08/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pátria

    Bittori e Miren cresceram juntas, se casaram com apenas um mês de diferença, os filhos vieram mais ou menos na mesma época, os maridos também viraram melhores amigos. Parece ser o tipo de amizade que vai durar por toda uma vida, certo? Porém não é o que acontece quando o marido de uma é assassinado por terroristas e o filho da outra entra para esse grupo, abalando e posteriormente destruindo os laços que uniam essas duas famílias. O ETA (Euskadi Ta Askatasuna) foi uma organização fundada em 1959 e que só acabou em 2018, que tinha como objetivo libertar o País Basco da Espanha. Ao longo dos anos foi responsável por milhares de atentados, extorsões e centenas de mortes. Quando passa nos noticiários números e estatísticas, nem sempre paramos para pensar que cada um daqueles algarismos é na verdade um ser humano, com tantas outras pessoas ao seu redor, entrelaçando tantas outras vidas à sua. É isso que Pátria ressalta ao longo de suas quinhentas páginas, focando no impacto individual que uma mesma história pode ter para pessoas diferentes, com experiências diferentes e visões conflituosas. Miren, uma mulher que sempre foi apolítica, vira uma extremista depois que seu filho mais velho, Joxe Mari, entra para o ETA. Já Bittori vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu marido é ameaçado publicamente por não pagar uma espécie de ‘imposto revolucionário’ e seus conhecidos passam a evitar a família sempre que podem para que não sejam marcados também. Quando as ameaças são cumpridas e Txtato é assassinado voltando para a casa, a vida dessa mulher entra em uma espécie de pause que dura até as últimas páginas. Durante toda a leitura, a minha impressão foi de que as duas famílias estavam paradas no tempo. A família de Bittori, principalmente ela e Xabier, vivem suas vidas em função da memória de Txato; para o filho existe a vida ‘antes de’ e ‘depois de’. Nerea, que era a filha preferida, mesmo não indo ao enterro, guarda diversos objetos pessoais, inclusive a roupa que ele usava durante o atentado. Para Miren a vida parou no dia em que o filho foi preso pelos crimes que cometeu em nome do ETA. Aliás, essa personagem me causou certa antipatia, já que não concordava com sua visão de que por ser mãe de alguém que era um terrorista, era obrigada a ser tornar uma defensora da causa. Gostei de Arantxa, irmã de Joxe Mari, logo de cara pela sua visão de que podia amar o irmão, mas isso não significava apoiar cegamente suas atitudes; uma pena o que aconteceu com ela, mas de todos foi a que mais teve empatia e coragem ao manter vivo vínculo com a outra família. Aqui, o perdão é visto como um meio de liberdade, tanto para quem perdoa quanto para quem pede o perdão. No primeiro caso, é necessário abrir mão de toda a mágoa e raiva para conseguir absolver o outro. Já para quem desejar ser perdoado, é essencial olhar para seu passado, analisar cada atitude e se arrepender do caminho percorrido, o que nunca será fácil. Quando terminei a leitura e fui pesquisar um pouco sobre o livro, vi que HBO lançou recentemente uma série baseada nele. Estou ansiosa para assistir, já que em diversos momentos nos últimos dias pensei que daria uma excelente adaptação. Por algum motivo estranho, fiquei com a sensação de que numa releitura, terei uma experiência ainda mais impactante. Ele ficará aqui na minha coleção para que daqui a alguns anos eu possa descobrir que se minha intuição se confirma.

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    Fernando Aramburu profile picture

    Fernando Aramburu

    Fernando Aramburu San Sebastián, 1959) licenciou-se em Filologia pela Universidade de Saragoça e em de 1985 mudou-se para a Alemanha, onde trabalhou como professor de Espanhol. Foi membro do Grupo CLOC de Arte y Desarte, fundado em 1978 em San Sebastián, que reunia jovens escritores bascos. Considerado um dos escritores mais destacados de sua geração, foi galardoado com vários prémios literários, entre eles o Prémio Ramón Gómez de la Serna, 1997 e o Prémio Euskadi, 2001. É, também, autor dos romances Fuegos con limón (1996), Los ojos vacíos (2000), El trompetista del Utopía (2003) e Bami sin sombra (2005) bem como da prosa curta El artista y su cadáver, do conto infantil Vida de un piojo llamado Matías (2004) e dos livros de relatos No ser no duele e deste Os Peixes da Amargura, vencedor dos Prémios Mario Vargas Llosa NH, Dulce Chacón e do Premio Real Academia Española. fonte: wook.pt

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    Fernando Aramburu