Um dia, no campo de concentração de Bergen Belsen, na Alemanha, Luis Sepúlveda encontrou gravada numa pedra uma frase de autor anônimo que dizia: «Eu estive aqui e ninguém contará a minha história.»
Essa frase despertou-lhe a necessidade de contar histórias. Vidas de pessoas que resistiram, de uma forma ou de outra. Pessoas que talvez passassem despercebidas pela História.
Com esse propósito, Sepúlveda construiu umas das narrativas mais belas que já tive o prazer de ler. Suas páginas contam episódios de guerras, injustiças, opressão humana e exploração do meio ambiente, de imigrantes, de vítimas das ditaduras latino-americanas e das guerras em várias épocas, de abuso do capital, mas também de amor, de resiliência, de entrega, de cooperação, de confiança, de humanidade irrestrita.
Por meio dessa escrita, percorremos cidades, florestas, aldeias, campos em Peru, Panamá, Alemanha, Croácia, Lapônia, Cuba, Argentina, Equador... Conhecemos um pouco da história recente das Américas e entramos em contato com pessoas reais: Fredy Taberna, Vidal Sanchés, Avron Sützkerver, Klaus Stönebecher, Hemingway, e tantos outros homens e mulheres que empregaram a vida na defesa dos direitos humanos.
Trata-se de um livro-arauto que grita, com contundência, lirismo e uma dose de humor a necessidade de respeito, amor e dignidade. É um livro-denúncia dos abusos cometidos pelos forte e poderosos contra os oprimidos, mas não fracos. É um livro necessário.
Todas as narrativas são maravilhosas, mas destaco: O Guarda da Alfândega de Lauhenburg, O Amor e Morte, As Rosas de Atacama.
Luis Sepúlveda (Ovalle, 4 de outubro de 1949 Oviedo, 16 de abril de 2020) foi um romancista, realizador, roteirista, jornalista e ativista político chileno. Residia ultimamente em Gijón, em Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris. Recebeu, entre outros, os seguintes prémios literários:
Prêmio Gabriela Mistral de poesia (1976);
Prêmio Rómulo Gallegos de novela (1978);
Prêmio Tigre Juan de novela (1988);
Prêmio de relatos cortos «La Felguera» (1990);
Prêmio Primavera de Romance (2009);
Prêmio Eduardo Lourenço (2016).