EDIÇÃO: A capa do livro é intricada, linda e complexa, bem no estilo do universo criado pela autora. Vi fotos do hardcover na internet, e o hardback tem o símbolo da família Thaumas na frente, mas nada extraordinário. Como li e-book, só notei os detalhes nas bordas do início de cada capítulo.
ESCRITA: Erin A. Craig liga muito bem os fatos, é bem nítida a progressão do enredo através do sequenciamento de cenas: início, meio e fim. Um destaque muito positivo é como a autora enriqueceu o enredo na construção do universo e principalmente da mitologia dali, os deuses e lendas são MUITO ricos, ela com certeza tinha material para fazer pelo menos uma trilogia, então, fiquei surpresa quando descobri (depois que já tinha começado a ler) que era um livro único. A ambientação é regular, sem nos atrasar na leitura, mas nada extraordinário. O livro alterna entre cenas boas (e só) e cenas bem intrigantes ou lindamente escritas (raras), que conseguem transmitir toda a emoção que a autora quis empregar.
ENREDO: Eu não sabia que era um retelling, muito menos que era de As Doze Princesas Bailarinas - cujo meu conhecimento prévio se resume ao filme da Barbie que amo. Pela capa, já dava pra sentir que ia ser um negócio meio sombrio. Então, eu não sabia bem o que esperar, só segui o fluxo. De fato, o encadeamentos dos fatos é nítido, com poucas surpresas e a mesmo quando elas vieram, não sei explicar, foi como se sentissemos a mudança de tom, uma sensação de algo-está-prestes-a-acontecer. Não sei se sou eu. Eu raramente sou assertiva assim, geralmente o escritor me faz de trouxa. Então foi meio que uma decepção, pois tirou o impacto da revelação. Porém, das poucas vezes que me surpreendi, foi uma surpresa digna.
PERSONAGENS: Aqui foi o grande problema o livro. Temos um único ponto de vista - Annaleigh, nossa protagonista, a sexta filha. Não me apeguei à sua personalidade, mas até aí tudo bem. Subitamente, ela conhece aquele vai ser o crush da história, e sua reputação cai por terra. Eu sinceramente achei que a fase amor à primeira vista nos YA já tinha passado, pois a moda agora são as personagens badass que têm mais o que fazer/pensar do que ficar sonhando acordada com caras bonitos que acabaram de conhecer. Sério. Já vi YAs muito criticados que dão de mil em Annaleigh e muitas outras, pois personagens como Mare Barrow (A rainha vermelha) e Laia de Serra (Uma chama entre as cinzas) são nitidamente melhores. Esse foi meu maior problema com Annaleigh. O crush é tudo que um mocinho deve ser, então, sem defeitos, mas também sem surpresas. Sobre os secundários, achei-os razoáveis, a autora nos leva a favorecer ou não quem ela quer na linha do enredo. E aí vem o grande problema que tirou uma estrela inteira da avaliação: o vilão não me convenceu. Quando tudo é revelado, eu só li e fiquei tipo "É isso?". O enredo é um labirinto de suposições e desvios, com becos sem saída, mas de repente, temos um vilão com uma motivação insuficiente, e apesar de eu já ter suspeitado no início, a autora conseguiu plantar a semente de dúvida em mim. Quando a verdade nos é mostrada, achei- incompatível. Não sei. Não encaixou.
+: Esse livro foi lançado ano passado, e como estou bem por fora dos lançamentos, resolvi aproveitar uma leitura conjunta para dar uma chance pra esse (estou mais focada em terminar séries mais antigas, como prioridade na TBR). Não foi uma leitura ruim, mas eu certamente esperava mais. Já vi enredos menos complexos serem melhor trabalhados - uma lástima que a riqueza do cenário tenha sobressaído a complexidade dos personagens, que é o que eu valorizo mais. Mas como sempre, recomendo que cada um faça sua leitura e tire suas próprias conclusões. Quem sabe um futuro trabalho da autora não me envolva mais? Pretendo tentar. Até lá, cuidado com os fantasmas.
"It shouldn't matter what your parents did, just what you do as a person."
"[...] rumors had a way of morphing into something big and ugly."
"Regret was the darkest nightmare of all."
"When certain kinds of people get desperate enough, they're willing to do anything."