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    Revista Manchete N° 560 - Ano 10 - 12 de Janeiro de 1963 -

    Carolina Maria de Jesus

    Bloch
    1963
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Revista Semanal com temas diversos, originalmente datada de 12/01/1963.

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    R .10/07/2019Resenhou um livro
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    Diálogo de dois mundos

    Em minhas férias, separei livros de Carolina Maria de Jesus para conhecer. Tem sido leitura interessante, no sentido de descoberta da autora (em termos gerais, ainda muito desconhecida no país), seus ideais e um pouco da biografia. É notória sua simplicidade, que se transforma em franqueza impactante através de suas obras, sua principal identidade. Em relação a ideais, a educação como meio de transformação social esteve entre suas principais abordagens e, sobre biografia, além dos pontos anteriormente citados, um exercício interessante é buscar fontes de sua época, não se baseando apenas em textos com impressões na atualidade. Direcionei para leitura de revistas antigas e tem muita coisa pitoresca que a gente vai encontrando, como no acervo da revista Manchete. Resolvi então registrar algo desse curioso universo.... A única reportagem que li nessa edição foi "Diálogo de dois mundos", que mostra encontro de Carolina com a jovem escritora israelense Yael Dayan (não conheço nada dela, mas li que na atualidade é militante política envolta em polêmicas, como movimentos de discussão de gênero). Foi promovido pelos editores da revista, a partir do interesse da escritora estrangeira, quando "Quarto de despejo" tinha alcançado repercussão internacional, elevado à condição de best-seller. Basicamente, o diálogo entre elas (bastante pitoresco) ilustra a questão da simplicidade e valorização da educação. Tenho percebido que a autora, na impressão sugerida, não é alguém que se coloca como "militante da negritude" (se é que me faço entender), pois seus posicionamentos e ideais são de ênfase a educação, ao homem em termos gerais, sem se ater a especificações religiosas ou sociológicas (como seria natural ou esperado). Yael - Eu me considero uma escritora espontânea, mas arranco algo de mim em cada frase que coloco no papel. E você, quando está escrevendo um livro, trabalha todos os dias? Carolina - Todos os dias e com muito cuidado. Eu sinto responsabilidade porque quando a gente escreve, o povo confia. Não se deve transmitir ideias falsas. Yael - Eu também penso assim. Aceita um cigarro? Carolina - Obrigada. Eu não fumo e ainda por cima detesto mulher que fuma. Acho feio. Você também bebe? Yael - Não bebo, não. Sabe que estou adorando essa sua franqueza? Sem sinceridade é impossível escrever um livro. Carolina - É por isso que eu sempre digo o que sinto... .... Yael - Você acha que não mais haverá favelas no Brasil, dentro de dez ou cem anos? Carolina - Não sei quando as favelas acabarão, mas estou participando da luta para acabar com elas. E isso deverá acontecer quando houver educação para todo mundo. Yael - O que você pretende que seus filhos sejam, quando eles crescerem? Carolina - Só quero que eles sejam dignos... O diálogo segue, mas apenas em uma página (curti bastante e queria que se estendesse) sendo a outra ocupada por bela fotografia com as duas escritoras, onde também podemos obter impressões, transparecendo, sobretudo, a simplicidade austera da brasileira.

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    Carolina Maria de Jesus

    Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. A autora nasceu em Sacramento, Mina Gerais, mas viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo. A autora sustentou a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que publicou o diário de Carolina sob o nome Quarto de Despejo. Com o dinheiro do livro, a autora se mudou da favela. Chegou a publicar outros livros, mas nenhum repetiu o enorme sucesso de sua primeira publicação.

    30 Livros
    446 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carolina Maria de Jesus