Negação e isolamento. Raiva. Barganha. Depressão. Aceitação. Essas são as fases do luto, e faz quase um ano que May vive na raiva.
May sempre viveu a sombra de seu irmão gêmeo, o filho favorito e genial, mas ele foi assassinado em um tiroteio em massa na escola e ela foi uma "sortuda" que sobreviveu.
E Zach vê sua vida sendo jogada de pernas pro ar quando sua mãe resolve ser a advogada de defesa do atirador.
No meio disso tudo, eles acabarão se conhecendo e aprenderão o que é preciso pra sobre/viver/.
Sei que o livro é adolescente, narrado por dois deles, porém já momentos com reflexões tão infantis que é até chato de ler.
Dou essa quantidade de estrelas pois é um tema importante, o final me emocionou muito e nos dá um final esperançoso.
Contudo, não posso deixar de falar de uns pontos que me incomodaram.
Sei que é a proposta da narrativa a questão do abandono dos pais de ambos os personagens, mas não tem como engolir a desculpa da mãe do Zach para pegar o caso, por exemplo.
Também não dá pra aceitar atitudes de outros adultos, como, por exemplo, adultos aceitarem ela voltar a escola sem o apoio psicológico que ela tanto precisava, ou como ela não conseguiria visitar a cadeia desacompanhada por ser menor.
Um ponto que me pegou foi como a saúde mental é tratada como lixo até o fim. May tem ataques de pânico tão fortes que desmaia, mas nada é feito sobre. Falou-se mal de terapia e até do AA. E o desprezo de Zach pelo pai, que ele claramente já entendia que tinha depressão.
Eu sei que são adolescentes, se acham adultos, mas que são crianças. Mas ainda assim, os personagens, principalmente Zach, são pintados como empáticos, mas eles não são, são mimados, mesquinhos e egocêntricos.
May acaba até mesmo com as amigas e ainda desrespeita o luto das outras vítimas. E era totalmente incômodo Zach só pensando em beijar May mesmo ela no meio de um ataque de pânico.
Única personagem legal do livro é a Lucy, amiga de verdade, animava a May, dava bons conselhos e o mais importante, não passava a mão na cabeça e falava na lata.
Gostei principalmente do final, com May saindo da fase de raiva do luto, ficou um pouco melhor de se ler, e com todo mundo finalmente fazendo o básico, que é conversar.
Esse é um livro que vai te fazer passar raiva, mas também vai te emocionar.