O professor e o louco - Uma História de assasinato e loucura durante a elaboração do dicionário Oxford

    Simon Winchester

    Companhia de Bolso
    2009
    235 páginas
    7h 50m
    ISBN-13: 9788535915532
    Português Brasileiro

    A incrível história dos setenta anos de elaboração do Oxford English Dictionary e de como seu principal editor, o filólogo autodidata James Murray, cruzou com a figura trágica e fascinante do médico esquizofrênico William Chester Minor. No século XVIII, época de descobertas científicas e de expansão dos ideais iluministas, a Inglaterra encontrava-se extremamente atrasada nos estudos da própria língua. Enquanto França, Itália e Alemanha já possuíam livros e instituições dedicados à filologia, autores como Daniel Defoe e Jonathan Swift eram obrigados a se virar sem um dicionário que fixasse a língua inglesa. Obras como o maravilhoso A dictionary of the English language (1755), de Samuel Johnson, vieram suprir a falta prolongada desde os tempos de Shakespeare, que no século XVI teve de escrever suas peças sem um único livro ao qual pudesse recorrer para consultar a grafia ou o significado de uma palavra. Mas foi apenas no ano de 1857, em plena era vitoriana, que a ideia de um dicionário que abrangesse a língua inglesa como um todo, desde a preposição mais corriqueira até o substantivo mais longo e obscuro, veio à tona. Partindo de alguns preceitos já usados por Johnson, o New English Dictionary - futuro Oxford English Dictionary - usaria citações (literárias ou não) para ilustrar o sentido, a origem e as mudanças sofridas ao longo do tempo no significado de todas as palavras anglo-saxônicas. O uso de voluntários para empreender tamanho projeto foi uma iniciativa necessária e inovadora em sua época, e foi também o que permitiu o encontro de duas figuras fascinantes: o filólogo autodidata James Murray, irlandês de origem humilde, que dedicou quarenta anos à edição do OED, e o americano de família rica e tradicional, William Chester Minor, médico promissor e dedicado que teve de passar a maior parte da vida entre os muros de um hospital psiquiátrico e de lá foi um dos colaboradores mais profícuos e eruditos do dicionário. Com uma prosa simples e apaixonada, de quem descobre com o leitor a profusão de histórias que existe por trás dos setenta anos da elaboração do OED, Simon Winchester mergulha na vida desses dois personagens profundamente ligados àquele que é um dos maiores e mais importantes dicionários de todos os tempos.

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    Luciana Darce16/07/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ganhei esse aqui de presente num amigo secreto e devo dizer que a amiga que me tirou acertou em cheio. O Professor e o Louco investiga os bastidores da organização do Dicionário Oxford – o primeiro em inglês e um dos mais completos de seu gênero – e, em especial, a relação entre um dos maiores colaboradores da iniciativa, o doutor W. C. Minor e o professor James Murray, líder do projeto. Pode parecer uma leitura meio seca para leigos de plantão, mas a verdade é que, mesmo considerando as partes dedicadas ao debate de métodos de pesquisa, O Professor e o Louco é quase um romance policial, com lances tão novelescos que por vezes esquecemos que se trata de uma história real. Minor era um cirurgião americano, tendo servido durante a Guerra Civil, onde supostamente teria presenciado cenas que o levaram a um colapso nervoso. Há suposições sobre a possibilidade de esquizofrenia, demência, doença degenerativa... mas, não sendo esse o foco da história, não há um diagnóstico definitivo. O caso é que Minor deixou os Estados Unidos e foi se estabelecer em Londres, onde, em meio a um delírio, assassinou um homem, afirmando que estava atrás de um irlandês que o estivera perseguindo. O julgamento de Minor foi uma sensação à época, inclusive pelos detalhes picantes dos hábitos sexuais do doutor, e ao final ele foi internado em Broadmoor, um asilo para loucos. A despeito da doença, Minor era inteligente e, quando não estava jurando que irlandeses tinham invadido seu quarto para envenená-lo, gostava de se manter em dia com as notícias e de ler tudo o que pudesse lhe passar pelas mãos. Foi dessa forma que encontrou o pedido por colaboradores que a equipe do Dicionário Oxford publicou em jornais pela Grã-Bretanha. E foi assim que decidiu a se dedicar ao projeto, pesquisando palavras, copiando frases exemplificativas, investigando datas em que tais expressões poderiam ter sido usadas pela primeira vez – de forma bastante metódica e profissional. Murray se impressionou desde o início com o trabalho minucioso de Minor e nem de longe desconfiava que seu colega – com quem iniciou uma correspondência pessoal – pudesse ser um assassino clinicamente insano. Winchester consegue contar toda essa história sem passar julgamentos, de uma forma direta, mas bastante interessante. Ao final, O Professor e o Louco se revelou um inesperado deleite. Certamente recomendado.

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