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    O Crime do Padre Amaro

    Eça de Queiroz

    Vozes De Bolso
    2019
    624 páginas
    20h 48m
    ISBN-13: 9788532660251
    Português Brasileiro
    4.4
    14 avaliações
    Leram13Lendo4Querem5Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados5Avaliaram14
    Resenhas (2)Ver mais
    Bela Melo picture
    Bela Melo05/02/2026Resenhou um livro
    1.5 (Ruim)

    O crime do lúgubre padre Amaro

    Ler O Crime do Padre Amaro foi uma experiência cansativa do começo ao fim. Não apenas pelo tamanho do livro, mas porque a história insiste nos mesmos pontos sem nunca realmente avançar. Diante da postura crítica de Eça de Queirós em relação a outros nomes da literatura, especialmente quando se coloca em oposição a autores como Machado de Assis, é difícil não esperar um livro à altura. No entanto, essa expectativa não se confirma, e a sensação que fica é a de que a ousadia do discurso não se sustenta na própria obra. O protagonista é fraco e pouco interessante. Falta carisma, profundidade e qualquer traço que faça o leitor se importar com ele. Mesmo que essa escolha tenha sido proposital, ela não funciona a favor da narrativa, já que acompanhar um personagem vazio por tantas páginas só torna a leitura mais desgastante. A escrita reforça esse cansaço. Tudo no livro é pesado, sombrio e excessivamente repetitivo. O próprio adjetivo “lúgubre”, TÃO usado pelo autor, parece definir não só a obra, mas a sua escrita como um todo. Há pouca variação de vocabulário e uma insistência constante nas mesmas imagens e descrições, o que torna a leitura arrastada e, em muitos momentos, estressante. A crítica à Igreja Católica, que deveria ser o ponto central do romance, acaba se perdendo. Em vez de aprofundar a discussão, o livro se alonga em diálogos intermináveis e descrições desnecessárias. A repetição de comentários sobre o corpo de Amélia, especialmente seus “peitos brancos”, contrasta de forma quase absurda com a tentativa de afirmar que o amor do padre seria puro. Essa contradição não provoca reflexão, apenas cansa. Também chama atenção a forma exagerada e forçada com que os personagens elogiam o clero ao longo da narrativa. O tom supostamente cômico não convence e o realismo acaba sendo fraco, sem força suficiente para sustentar a crítica que o autor parece querer fazer. Li o livro até o fim para ter uma visão completa da obra. O final, apesar de apresentar uma situação que poderia acontecer na realidade, não compensa o caminho longo e repetitivo até ele. A crítica existe, mas se dilui em meio a capítulos vazios e discussões que pouco acrescentam à narrativa. No fim das contas, fica a impressão de que O Crime do Padre Amaro serve mais como um espaço para que Eça de Queirós expresse sua aversão à Igreja Católica do que como uma crítica bem construída. O resultado é um livro repetitivo, cansativo e, muitas vezes, desagradável de ler.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 14
    • 5 estrelas57%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas7%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz