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    A luta -

    Norman Mailer

    L&PM Editores
    2019
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788525438447
    Português Brasileiro
    4.1
    176 avaliações
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    A grandiosa cobertura da maior luta de boxe do século. Esta não foi simplesmente uma luta pela disputa do título mundial dos pesos-pesados. Esta foi “A” luta. A grande luta, a maior luta de boxe do século. Não foi simplesmente o en­frentamento entre duas lendas do esporte: George Foreman, o campeão, e Muhammad Ali, o desafiante, que havia perdido o título de campeão nos tribunais por ter se recusado a lutar na guerra do Vietnã. Era o ano de 1974. O mundo vivia uma grande polarização com a Guerra Fria e o auge da escalada mi­litar no Vietnã. Muhammad Ali representava a América negra, Foreman representava a América branca, arrogante e belicosa. Seu calção trazia as cores da bandeira norte-americana. O que se viu entrou para a história. Um verdadeiro épico, narrado com maestria por Norman Mailer, um dos grandes escritores do século XX e expoente do new journalism. Uma luta cujo impacto foi muito maior do que o som abafado que deixou o mundo perplexo quando o gigante George Foreman despencou nocauteado na lona do grande estádio lotado.

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    Hernani Leal picture
    Hernani Leal01/07/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A LUTA

    Zaire (consulte o Google Maps), 1974. A maior luta de boxe da história. O falastrão ex-campeão dos pesos pesados, o inesquecível Muhammad Ali (batizado Cassius Clay) de um lado, e do outro a montanha que enfrentará, o monstro mitíco, a silenciosa esfinge de pedra George Foreman (sim, o simpático senhor da Jumbo Grill). Sobre essa história, uma boa complementação ou alternativa é Ali, filme de Michael Mann, com Will Smith como protagonista. O filme retrata desde seu começo no boxe, sua conversão ao Islamismo, sua amizade e rompimento com Malcolm X (pela manipulação da religião), seus problemas políticos por se negar a responder a convocação para a guerra do Vietnã, sua personalidade magnética, seus relacionamentos conjugais e extras... e culminando na “luta do século”. Para quem tiver dúvidas, Will Smith foi indicado ao Oscar pela atuação. O livro de Mailer segue o caminho diferente, se concentra na luta. Usando o artificio inusitado de narrar em terceira pessoa e se colocar como personagem, Mailer nos leva pelas reuniões, treinos, concentrações, bate-bocas, e vielas na cidade de Kinshasa, no Zaire. Evoca as ebulições ideológicas do mundo e no próprio Zaire nos anos 70. Mas o ponto alto é a descrição apaixonada da própria luta; Mailer, um fã confesso de Ali, se juntava à opinião geral de que Ali seria massacrado. Muhammad havia lutado com Joe Frazier e perdido fragorosamente. E Frazier havia, em seguida, lutado com Foreman, e foi esmagado pela esfinge silenciosa (expressão minha). Então, a comoção geral era que Ali, mais velho, seria derrotado. Em nenhum momento Ali titubeia, deixando a sua personalidade verborrágica demonstrar medo ou apreensão. Mais tarde confessaria suas dúvidas internas e principalmente o medo da sua equipe de que não sobrevivesse ao desafio. Mas Ali, se internaliza do coro público “Ali, buma ye”, mate ele, Ali. E, assim, vence a luta (não estou dando spoiler, a luta foi em 1974). A riqueza de Mailer é a descrição tanto da luta como da filosofia de Ali lutar. São dadas grandes lições para qualquer desportista. O modo como muitas vezes a melhor maneira de lutar não é evitar o golpe, mas ir de encontro a ele, saber recebê-lo bem, etc. Uma aula completa, em uma beleza narrativa de um apaixonado. Ali adota uma estratégia nunca antes utilizada por ele. Durante oito, sim oito, assaltos ele resolve ser flagelado pelos socos de Foreman. Desviando de uns poucos (ele que foi o mestre nisso, Anderson Silva o copia nessa área), Ali se impõe o inferno. Sabendo como amortecer pela própria dor todos os golpes de Foreman e levando-o à exaustão física. No oitavo assalto o profeta Muhammad vence a montanha. Surpreendendo todos, o resultado inesperado choca o próprio Mailer. Se o enredo do livro não é novidade para ninguém, por que lê-lo? A paixão de um escritor por um esporte e sua filosofia, a vida de um lutador dentro e fora dos ringues, seus erros e acertos, encerrados de forma magistral é o ponto forte do livro. Sem dúvida o livro percorre lado a lado o bushido, o caminho do guerreiro. E é uma honra ser guiado por mestres tão humanos. P. s.: o premiado documentário Quando éramos reis, também é um prato cheio. Conclusão: 9 Recomendo

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