A vantagem e a desvantagem de uma trilogia como essa é que você chega ao fim sem necessariamente esperar uma conclusão ou fechamento, pois não há o que fechar; mas isso não significa que não haja expectativas. Devo dizer que, apesar de ter gostado, Kudos me pareceu um livro desnecessário como sequência. Ao meu ver ele não tinha muita coisa a acrescentar e acabou sendo um pouco repetitivo após Esboço e Trânsito - este último que, com certeza, se tornou meu favorito entre os três. Senti em Kudos uma impessoalidade ainda maior - pasmem: é possível! - e um quase completo absenteísmo da Faye, que parece sempre estar assistindo à sua vida acontecer de longe. Os diálogos continuam muito bons, mas nesse (alguns) me pareceram um pouco forçados, e na metade do monólogo eu já me pegava um pouco dispersa... Enfim, é um bom livro, porém talvez vago demais - claro, de acordo com o meu gosto... Entendo a proposta da Cusk, porém a passividade e grande abstenção envolvendo a Faye me fizeram não me vincular tanto ao livro quanto eu gostaria. Não sei se foi só impressão, mas senti um secundarismo ainda maior da narradora neste último. Queria ter conhecido mais ela, seus filhos, seu casamento etc. - só sabemos que ela se casa de novo através de comentários de outros personagens!! Aos quais, aliás, ela não responde hahahah Acho que a Faye mexe um pouco com minha sombra - na perspectiva junguiana da coisa. Mas é isso, a trilogia foi uma experiência literária bem diferente e instigante. Temáticas como maternidade, matrimônio, feminismo e arte permeiam todos os livros, geralmente com mais de um ponto de vista e com olhares não romantizados. Ainda em dúvida se arrisco outros livros da autora...

