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    Revista O Cruzeiro (Ano XXXII - Nº 48 - 10 de Setembro de 1960) -

    Carolina Maria de Jesus

    Cruzeiro
    1960
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Revista de circulação semanal, publicada em 10 de Setembro de 1960. Entre as informações: - Éder venceu a briga de galos (nocaute sofre José medel) - Sartre viu o que a Bahia tem (esquisitices da Bahia encantaram Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir) - A verdade sobre Adolph Eichmann - II (O Cruzeiro publica a segunda parte da história do carrasco dos judeus) - Da favela para o mundo das letras E mais curiosidades, notícias e informações de tempos passados!

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    R .12/07/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Da favela para o mundo das letras

    O Cruzeiro, revista de circulação semanal no século passado, tem várias referências à escritora Carolina Maria de Jesus. Deixo em registro a segunda reportagem de grande repercussão, assinada pelo jornalista Audálio Dantas, quem a revelou na edição de 1959, onde "Quarto de despejo" tornou-se notório na sociedade. A reportagem vale principalmente pelas fotos, que dão percepção da projeção meteórica da autora e seu livro pioneiro, rapidamente um best-seller. Vemos o dia do lançamento, evento diferenciado que lotou a Livraria Francisco Alves (editora do livro) e as imediações, parando o trânsito, contando com várias autoridades, como o Ministro do Trabalho (numa falácia estratégica, prometeu uma casa para Carolina... Oche! Por que não falou do contexto retratado no livro...). Para se ter ideia da projeção do evento, naquele dia Carolina assinou 1500 exemplares, que correspondia ao número de uma tiragem normal, e foram impressos 10 mil exemplares. O sucesso foi maior que o de consagrados escritores, como Jorge Amado. Razão no ineditismo temático da obra e singularidade da autora. "Quarto de despejo" foi um olhar diferenciado, considerado jornalístico, sobre o cotidiano da favela, tornando-se conhecido em debates diversos na mídia do contexto. O registro é valoroso para estudos biográficos. Será que já fizeram algum filme sobre ela? Peça teatral sei que teve. Um trecho do texto da revista: "O lançamento do livro assumiu aspecto de comício, com retrato de Carolina na fachada da livraria... E faixas com frases contidas no livro... Durante 5 horas, sem parar, Carolina autografou exemplares de seu 'Quarto de despejo'. Houve paralisação de tráfego, gente que quase foi aos sopapos na 'fila de autógrafos'. A certa altura, um cidadão teve um calo pisado e ameaçou quebrar a cara do pisador. Carolina parou um instante de escrever e comentou, bem alto: 'Nossa! Até parece que a gente está na favela!'..." No estudo biográfico, é edição curiosa, principalmente no paralelo às últimas reportagens da revista sobre Carolina Maria de Jesus, que em sua época foi da ascensão meteórica ao ostracismo. Registre-se, considerada hoje uma das principais escritoras negras do país. Texto da reportagem em

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    Carolina Maria de Jesus

    Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. A autora nasceu em Sacramento, Mina Gerais, mas viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo. A autora sustentou a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que publicou o diário de Carolina sob o nome Quarto de Despejo. Com o dinheiro do livro, a autora se mudou da favela. Chegou a publicar outros livros, mas nenhum repetiu o enorme sucesso de sua primeira publicação.

    30 Livros
    446 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carolina Maria de Jesus