A poesia parece ser mesmo “código secreto”. Quanto mais o leitor se detém no poema, quanto mais sente suas palavras, prova suas metáforas, mais vai identificando sentidos à primeira vista insuspeitados. O que era solo penumbroso vai recebendo, suave, a luz solar. E os campos se desvendam. Raimundo Barroso, em certos momentos de Oráculo do crepúsculo, é um poeta da palavra secreta que, em se desvendando, atiça-nos a sensibilidade e a inteligência. Poemas com nítida influência de Drummond e de Bandeira. O Drummond da náusea, angustiado, atônito com o mundo, e ainda o do cantar de amigos. O Bandeira da delicadeza, do cotidiano simples, do poema-crônica. Peso e leveza. Após nos atordoamos com interrogações do tipo “Eu tenho as mãos, quem me empresta um mundo?”, nos divertimos com o passaporte que “vivia de andança” e que já não tem “a mínima sorte”, pois pena por “uma carimbada, um guichê”. Após sabermos que “um cão perdido/ perdeu seu caminho/ os caminhos se fecharam/ fechados na linha da terra/ nas terras cheias de miragem”, nos deparamos com o boêmio que na rede “geme e descansa” ou com o Arco-Íris cuja sina é desejar “beber o açude” (bela imagem!). Oráculo do crepúsculo é obra de poeta maduro. Raimundo Barroso não força a mão para inventar o impossível. Fiel a uma tradição primorosa, faz poesia muito competente. Rinaldo Fernandes Escritor e Professor de Literatura
Oráculo do crepúsculo - Uma poesia do entardecer
Raimundo Barroso Cordeiro Jr.
Editora Universitária UFPB
2006
122 páginas
4h 4m
ISBN-10: 8599135627
Português Brasileiro
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