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    Mar Absoluto & Retrato Natural -

    Cecília Meireles, Cecília Meireles

    Nova Fronteira
    1983
    297 páginas
    9h 54m
    ISBN-10: 8520911137
    Português Brasileiro
    4.2
    194 avaliações
    Leram358Lendo25Querem237Relendo3Abandonos7Resenhas11
    Favoritos28Desejados237Avaliaram194

    O clima de segunda guerra mundial afundou Cecília nos versos de Mar Absoluto (1945). Características: virtuosismo verbal, musicalidade, preferência por versos curtos, delicadeza e espiritualidade. Melancolia que se manifesta na preferência por temas como solidão, fugacidade do tempo, resignação diante da falta de sentido da vida. Abstração,atmosfera de sonho e tom intimista.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Evelyn Ruani picture
    Evelyn Ruani04/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mar Absoluto/Retrato Natural é um deleite para as almas sedentas de profundidade revestida pela leveza das palavras e pela melodia tranquila de seus versos. Estes dois livros publicados em uma única edição, são a pura expressão da harmonia e estética que só Cecília poderia traduzir com sua forma de construir seu próprio caminho, sempre à margem de grupos e movimentos. Cecília traz uma qualidade poética que, embora faça paralelo à grande poetas universais, a torna única. No primeiro livro, o Mar é o protagonista, ensaiando silêncios e solidão. Trazendo e levando sonhos, dores, amores, o próprio tempo e a fragilidade das coisas. São tantos os versos que eu poderia destacar, mas alguns em especial, são impossíveis de não serem citados: <i>“O mar é só mar, desprovido de apegos, matando-se e recuperando-se, correndo como um touro azul por sua própria sombra, e sendo depois a pura sombra de si mesmo, por si mesmo vencido. É o seu grande exercício”</i> Me encanta as imagens bordadas em palavras que Cecília é capaz de nos presentear... “sendo a pura sombra de si mesmo”, “por si mesmo vencido” . É o seu, o meu, o nosso grande exercício diário. Quanta reflexão num vai e vem de ondas “desprovidas de apego”. <i>“Não precisa do destino fixo da terra, ele que, ao mesmo tempo, é o dançarino e a sua dança”.</i> A Liberdade, a solidão, tantos retratos naturais... O que nos leva ao segundo livro, que traz uma de suas características principais que é a reflexão sobre o ser humano em sua profundidade atrelada ao resgate da beleza, numa variável infinita de palavras e sentimentos. A grande verdade em “Improviso” quando declara: <i>“Eu mesma sou a culpa dos malefícios alheios A quem não podia nada, eu é que fui dar os meios para me ver maltratada”.</i> A sutil beleza de “Inscrição” quando nos desafia a refletir: <i>“Sou entre flor e nuvem estrela e mar Por que havemos de ser unicamente humanos, limitados a chorar?”.</i> E tantas outros versos maravilhosos que trazem tanta alma, solidão, pureza e vida. Cecília é magnífica. Primava pela beleza poética e pela expressão de grandes sentimentos e nos faz sonhar, suspirar, colocar a mão no peito e morrer um pouco a cada eu profundo que nos faz encontrar. Claro que não posso deixar de citar que ela escreveu um poema com meu nome nesse livro, motivo também pelo qual, o comprei tão jovem. EVELYN, isso. Meu nome, é o nome do poema e traz versos lindíssimos com os quais não ouso me comparar, mas ainda assim fico feliz de terem meu nome. Além disso, vale ressaltar que os poemas desses dois livros foram escritos entre 1945 e 1949, num período de guerra e sentimentos tão difíceis de expressar, Cecília traz alento, reflexão e um pouco de suavidade. Super recomendo a leitura dessa mulher maravilhosa.

    11 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 194
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Cecília Benevides de Carvalho Meireles profile picture

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles

    Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.

    108 Livros
    941 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles