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    Parque Industrial -

    Pagu

    José Olympio
    2006
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 850300898X
    Português Brasileiro
    3.6
    1226 avaliações
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    O núcleo do texto está centrado numa experiência de linguagem, mantendo em constante tensão o narrador e o mundo observado. O compromisso político não impediu, no caso de Parque Industrial, que a pesquisa estética fosse levada ao último limite possível. É isto que faz a grandeza da narrativa, provocando nossa releitura atual. Tal como ocorre nos contos de Alcântara Machado, no João Mirramar e na rapsódia do Macunaíma, é a narrativa brasileira que alcança a maturidade transitando para a universalidade de uma expressão. Parque Industrial constitui um texto decisivo na aquisição da nossa identidade cultural.

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    Felipe Martins picture
    Felipe Martins26/04/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Literatura E Revolução

    Ninguém nunca perdoará Pagu por ter trazido a superfície a parte maldita da sociedade, os humilhados e ofendidos ontologicamente negados pelos donos do capital. Ninguém nunca perdoará Pagu por ter atualizado na literatura brasileira a tradição dos cortiços, dessa vez com uma roupagem de literatura modernista. Ninguém nunca perdoará Pagu por ser mulher e aos 21 anos de idade escrever um livro inquietante e nada lisonjeiro sobre o mundo subterrâneo do luxo burguês de uma cidade como São Paulo, industrializada e vertiginosa. Ninguém nunca perdoará Pagu por ter feito um livro em que o elemento estético nunca está ausente e que pulsa de uma lírica riquíssima em suas ressonâncias. Ninguém nunca perdoará Pagu e é por isso que seu livro não é comentado, discutido e decifrado nas grandes teias da internet - é claro, os leitores estão ocupados demais com os narradores norte-americanos. O livro de Pagu continuará incomodando os leitores satisfeitos em seu ninho, continuará deslocando e desconfortando. Imagine Aluísio Azevedo encontrando a vanguarda europeia e o marxismo: eis Parque Industrial. “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária” – gritou Maiakóvski e parece que Patrícia Galvão ouviu. Essa mulher com vida fascinante, que conviveu com os modernistas brasileiros, os surrealistas franceses e entrevistou Freud em um navio rumo à China. Parque Industrial permanecerá como uma pérola de nossa literatura, como resposta do romance de 30 para a terrível condição dos trabalhadores de uma Metrópole. Hoje podemos olhar para o romance com estranheza, já que vivemos em uma época relativamente segura no campo do trabalho, já que as empregadas finalmente conseguiram sair do sistema escravocrata das patroas loucas, mas devemos sempre lembrar que chegar até o ponto em que estamos foi uma subida terribilíssima e acredito que o pequeno romance de Pagu seja um documento e retrato potente dessa subida. O que dói mais é conferir nos diálogos dos abastados o mesmo tipo de pensamento que poderíamos ouvir hoje da classe média: o ódio irracional ao Brasil (o chic europeu ainda está na moda) e a falta de olhar para um povo oprimido e escandalizado pelas diferenças sociais gritantes. Parque Industrial permanecerá, doa a quem doer.

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    Patrícia Rehder Galvão profile picture

    Patrícia Rehder Galvão

    Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, foi poetisa, romancista, crítica, cronista, ilustradora e autora teatral, Pagu foi uma revolucionária. Bem antes de virar Pagu, apelido que lhe foi dado pelo poeta Raul Bopp, Zazá, como era conhecida em família, já era uma mulher avançada para os padrões da época, pois cometia algumas “extravagâncias” como fumar na rua, usar blusas transparentes, manter os cabelos bem cortados e eriçados e dizer palavrões. Nada compatível com sua origem familiar. Aos 19 anos, recém saída da Escola Normal da Capital, em São Paulo, juntou-se ao movimento antropofágico – gestado pelo casal modernista Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Raul Bopp, dentre outros. Estreou na Revista de Antropofagia em sua fase mais radical, a chamada “segunda dentição”, juntamente com Oswald, com quem foi casada de 1930 a 1934. Aos 20 anos, viajou a Buenos Aires, onde encontrou o líder comunista Luís Carlos Prestes e conheceu o escritor Jorge Luís Borges. Militante do Partido Comunista, Pagu foi a primeira mulher presa por questões políticas no Brasil por sua participação em greve dos estivadores de Santos, em 1931. Permaneceu presa algumas semanas na Cadeia de Santos, edifício que atualmente sedia a Oficina Cultural Regional Pagu – da qual é patronesse. Correspondente de vários jornais, Pagu visitou os Estados Unidos, o Japão e a China. Entrevistou Sigmund Freud e assistiu à coroação de Pu-Yi, o último imperador chinês. Por intermédio dele, conseguiu sementes de soja que foram enviadas ao Brasil e introduzidas na economia agrícola nacional. Casada com o crítico de arte Geraldo Ferraz, radicou-se em Santos e foi crítica literária, teatral e de televisão do jornal “A Tribuna”. Liderou a construção do Teatro Municipal, fundou a Associação dos Jornalistas Profissionais e criou a União do Teatro Amador de Santos, por onde passariam os novatos Aracy Balabanian, José Celso Martinez Correa, Sérgio Mamberti e Plínio Marcos. Pagu foi também a primeira tradutora de Arrabal para o português, introduzindo o teatro do absurdo no cenário brasileiro. Lutou desde 1949 contra um câncer, e encerrou sua brilhante trajetória no ano de 1962.

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    São Paulo, Brasil

    Patrícia Rehder Galvão