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    Thomas, O Impostor (Grandes Sucessos da Literatura Internacional #28) -

    Jean Cocteau

    Rio Gráfica Ltda.
    1987
    113 páginas
    3h 46m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.5
    12 avaliações
    Leram20Lendo3Querem26Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados26Avaliaram12

    Terno e trapaçeiro, sedutor e fanfarrão, o adolescente Guillaume Thomas sonha concretizar seu destino de aventureiro incosequente. A guerra que abala o mundo a partir de 1914 parece-lhe o veiculo adequado e, para participar do conflito, ele se faz passar por sobrinho do famoso general de Fontenoy, heroi das lutas contra os alemães. Em seu pequeno mundo de fantasia e realidade, convivem com Thomas criaturas ávidas de prazer, como a princesa de Bormes, vulgares e vorazes, como a sra. Valiche, e obcecadas por honrarias, como o dr. Verne. Colocando-as em ação, Jean Cocteau pinta um quadro tragicômico de um momento terrível da humanidade e usa todo o seu talento para criticar com violência a estupidez que conduz à mais execrável de todas as imposturas: o conflito armado.

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    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior06/03/2021Resenhou um livro
    0

    A maior impostura é a própria existência...

    Uma pequena obra em uma edição com letras grandes, parágrafos curtíssimos (às vezes com um único período), e a maioria das orações em períodos simples: tudo isso pode nos levar ao engano de que se trata de uma obra superficial, tola, fútil. Ledo engano. “Thomas, o impostor” pode não ser uma obra profunda como os mergulhos herméticos (ou simplesmente pretensiosos) de alguns escritores, mas também não é rasa como muitas das obras que proliferam no mercado feito mato depois da chuva. Um rapaz se apropria (“sem querer querendo”) de um sobrenome famoso e se faz passar por um parente de um militar célebre, poderosíssimo e da alta aristocracia. No entanto, o próprio rapaz não percebe que se encaminha para a tragédia (sem spoiler). Deslumbrado, o rapaz não percebe que se torna um fantoche das circunstâncias e é engolido por elas. Inconstante, o rapaz não percebe que nossa única certeza se aproxima a cada passo (e ele, não contente com isso, acaba dando vários passos em direção a ela). O autor nos faz pensar sobre a cultura da celebridade, sobre a eterna luta entre o querer ser e o simplesmente ser (essência e aparência para ser mais exato) e o deslumbramento de tantos pelas camadas mais altas e o não pertencimento a elas. E esse é um dos méritos do livro: fazer-nos perceber que, seja em qual espécie de vida nos encontremos, mais cedo ou mais tarde, acabaremos por agir de forma deslumbrada, ingênua, otimista demais, sem perceber que ao nosso lado temos um abismo que nos aguarda. E, quando, finalmente, estivermos prestes a dar o último passo em direção a esse abismo, perceberemos que pouquíssimas pessoas dentre aquelas que conhecemos se levantarão para nos impedir de dar nosso último passo ou simplesmente perceberão que já não estamos mais no caminho...

    1 curtida

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    3.5 / 12
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas17%
    • 3 estrelas42%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%
    Jean Maurice Eugène Cocteau profile picture

    Jean Maurice Eugène Cocteau

    Nascido numa pequena vila próximo a Paris, Jean Cocteau foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Além de ser diretor de cinema, foi poeta, escritor, pintor, dramaturgo, cenógrafo e ator e escultor. <br> Atuou ativamente em diversos movimentos artísticos, nomeadamente o conhecido Groupe des Six (grupo dos seis) cujo núcleo era Georges Auric (1899–1983), Louis Durey (1888–1979), Arthur Honegger (1892–1955), Darius Milhaud (1892–1974), Francis Poulenc (1899–1963), Germaine Tailleferre (1892–1983). Além destes, outros também tomaram parte, como Erik Satie e Jean Wiéner. <br> Foi eleito membro da Academia Francesa em 1955.

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    Jean Maurice Eugène Cocteau