Eu realmente amei esse livro. Para ser muito sincera, acho que estou me apaixonando pela escrita de Dias Gomes. Recentemente li O Bem-Amado e adorei a narrativa e o quanto a obra ainda soa atual, visto que ainda encontramos vários “Odoricos” por aí.
Confesso que comecei O Santo Inquérito quase por acaso: achei a capa bonita e imaginei que ficaria perfeita na estante, ao lado de O Bem-Amado, formando uma pequena sequência do autor. Mas terminei a leitura levando muito mais do que uma combinação estética na prateleira. Saio daqui apaixonada pela escrita do Dias Gomes.
Neste livro, encontrei dois dos personagens mais marcantes que já li: Branca e Augusto, noivos. Branca é uma mulher maravilhosa, de uma bondade imensa, e é justamente essa bondade que, tragicamente, se torna a sua ruína. Já Augusto é um exemplo de integridade, alguém que mantém seu senso de justiça mesmo diante das consequências que sabe que virão.
E padre Bernardo… você é, sem dúvida, um dos personagens mais desprezíveis que já li. Passei o livro todo querendo te socar. Por você, só o meu ódio.
“É que em nome dele, em nome da Igreja, do próprio Deus, às vezes cometem-se atos que Ele jamais aprovaria. Em nome de um Deus-misericórdia, praticam-se vinganças torpes, em nome de um Deus-amor, pregam-se o ódio e a violência. Os rosários são usados para encobrir toda sorte de interesses que não são os de Deus, nem da religião”.
Super recomendo a leitura. É um livro curto, mas que reverbera na cabeça de um jeito impressionante e faz refletir muito. Sem dúvidas, já entrou para a lista dos meus favoritos.