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    O Senhor Ventura -

    Miguel Torga

    Nova Fronteira
    1999
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-10: 8520909906
    Português Brasileiro
    3.8
    25 avaliações
    Leram57Lendo6Querem66Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos0Desejados66Avaliaram25

    Breve tratado da odisseia de um português com largos horizontes, O Senhor Ventura, de Miguel Torga, retrata o trajeto de um homem que decide desviar-se do destino de pastor e parte da sua aldeia natal, Penedono, no Alentejo, rumo a Lisboa para cumprir o serviço militar.

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    Hernani Leal picture
    Hernani Leal26/05/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O senhor Ventura

    O senhor Ventura, de Miguel Torga A primeira impressão ao terminar o, infelizmente, breve O senhor Ventura, de Miguel Torga, é que nas mãos de George R. R. Martin esse livro teria 1000 páginas da mais pura adrenalina impulsionada pela passionalidade do personagem. Mas não. O senhor Ventura é um exercício primoroso de concisão, uma joia ornada no minimalismo de uma pérola única. Capítulos de uma página e meia em média movem o frenesi das aventuras do senhor Ventura (não, o nome não é por acaso). O temperamento do senhor Ventura é tempestuoso, e em situações tempestuosas o coloca, é como ver uma força da natureza se chocar com outras... Aos 20 anos sai de casa, até então pastor de ovelhas. Conhece a obediência e desobediência militares (não é para seu espírito o obedecer), conhece a paixão, conhece a indiferença pela vida, viaja o mundo, encara os mares, tempestades, se entedia, encara desertos, se entedia, encara a guerra (pela selvageria torna-se um assassino temido), vivencia a criminalidade, descobre a amizade, e dolorosamente perde um amigo. E então pisa no que será a grande campo de batalha de sua vida, enfrenta um inimigo a altura da sua coragem, força e desequilíbrio passional: uma mulher. Russa. Tatiana. Uma mulher que só podemos imaginar a história pregressa. Um ser feito de loucura, dominado pelo seu ardor, pela sua paixão à vida, pelo seu desprendimento emocional seja ao que e a quem for. Mas o senhor Ventura a possui, ou é possuído por ela. Diz um ditado que domina a relação quem menos se importa com ela. Então o senhor Ventura é uma vítima, uma marionete que implora casamento a uma cortesã que ser somente ao próprio apetite insaciável. Nasce um filho, e então o senhor é domado por completo. “Não era capaz de acreditar que dois palmos de vida pudessem abalar tanto um homem”. Mas seus negócios na China o obrigam a ficar 5 anos desterrado. E retorna a pátria mãe Portugal, retorna a sua pequena vila. Por cinco anos enfrenta as adversidades para sustentar em outro pais a mulher e o filho. Somente para, em completa fúria, descobrir que o filho é mandado a Portugal e que sua grande inimiga destruiu sua fortuna na luxuria. Então, o domado senhor Ventura quebra a casca de civilização que tinha cultivado, e entra em cena a fera adormecida que é sua essência. E parte o capitão Ahab à caça da sua demoníaca baleia branca... guiado por um ódio cego parte para seu destino trágico de anti-heroi grego. E no final, o encontro... sobre isso não direi nada, deixarei que Torga diga: “agora eram na verdade aquilo que a natureza sempre lhes pedira: dois. A linha fina mas resistente, que os unira através de todos os desentendimentos, acabava finalmente de se partir. Tensa como era até ali, mal se quebrou, as duas metades retraíram-se de tal modo que nada as poderia nunca mais juntar. Livres!” Conclusão: como disse Vinicius :são demais os perigos desta vida para quem tem paixão. Nota: 10

    1 curtida

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    3.8 / 25
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    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas44%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas4%
    Adolfo Correia da Rocha profile picture

    Adolfo Correia da Rocha

    Adolfo Correia Rocha justificava da seguinte forma o uso do pseudônimo que o tornou conhecido: "Miguel" é uma homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica, Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. Já "Torga" é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha; uma planta de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente retilíneo. <br> Médico que atendia gratuitamente pacientes pobres - mas tido como "chato, duro e inflexível" no meio intelectual, sobretudo em Coimbra - , Miguel Torga foi um dos grandes escritores portugueses do século XX. Sua obra, na qual se destacam principalmente os contos, foi consagrada com o Prêmio Camões em 1989.

    25 Livros
    18 Seguidores
    Sabrosa, Portugal

    Adolfo Correia da Rocha