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    Manifiesto contrasexual -

    Paul B. Preciado

    Anagrama
    2002
    212 páginas
    7h 4m
    ISBN-13: 9788433978080
    Espanhol
    4.6
    9 avaliações
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    «En el principio era el dildo. El dildo antecede al pene. Es el origen del pene. La sexualidad es una tecnología hecha de máquinas, productos, instrumentos, aparatos, prótesis, redes, aplicaciones, programas, conexiones, flujos de energía y de información, interrupciones e interruptores, llaves, leyes de circulación, lógicas, equipos, formatos, accidentes, detritos, mecanismos, usos, desvíos... Es hora de entrar en la caja negra del sistema y de inventar una nueva gramática.» Un encuentro salvaje entre el feminismo y la dildotectónica, entre la filosofía posestructural y un cómic manga, entre la acción política y la ciencia ficción. Filosóficamente preciso e hilarante, el Manifiesto contrasexual ha sido aclamado por la crítica francesa como un clásico del pensamiento para el siglo XXI. Un libro imprescindible para entender los debates contemporáneos en torno a las políticas feministas, queer y transgénero.

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    Mata Vampiros08/05/2026Resenhou um livro

    Algumas anotações que fiz durante a leitura: - A lógica do dildo O dildo traz muitas questões, como a possibilidade de construção e reconstrução do sexo. Quando o autor disserta sobre a disponibilidade do corpo ou de partes dele ao consumo, isso me faz pensar em como a pornografia centra a visão a partir do olhar masculino. No entanto, não faltam exemplos de outras formas pelas quais o corpo feminino esteve à venda, enquanto o masculino parece tentar provar que é inconsumível ou irreplicável. Pode-se dizer que o dildo questiona essa lógica, mas não só. Ao invés de copiar o pênis, o dildo reconstrói e ultrapassa os limites do extracorporal. - Aprendendo sobre o dildo O dildo questiona a lógica da diferença sexual a partir de um órgão e ameaça o pênis como centro dessa lógica. O sexo não é anterior ao gênero; ele é produzido performativamente. O dildo não é uma simples imitação do pênis, mas uma prótese que revela a dimensão técnico-material da sexualidade, desestabilizando a ideia de um órgão sexual originário. “se o dildo suscita a reprovação na comunidade lésbica e nas representações em geral é porque esse incômodo brinquedo nos faz compreender que os verdadeiros pênis não passam de dildos” - Breve genealogia do orgasmo Estas quatro grandes tecnologias da sexualidade são, segundo Foucault: a histerização do corpo da mulher, a pedagogização do sexo da criança, a socialização das condutas procriadoras e a psiquiatrização do prazer perverso. As tecnologias sexuais também aparecem na construção da sexualidade como um processo de ressignificação e reapropriação de tentativas de controle. Essa tentativa de controle surgia conforme era preciso estabelecer os órgãos sexuais como único centro de produção sexual. A energia do proletário deveria ser direcionada à força física do trabalho ou ao trabalho de reprodução. As tecnologias poderiam ameaçar essa lógica de controle capitalista sobre o trabalho e a reprodução de novos trabalhadores. O prazer sexual feminino nasce de tecnologias de controle e restrição da sexualidade. Esse processo integra a máquina como produtora de prazer e desloca o sujeito do prazer. A mão e o dildo abrem linhas de fuga onde a produção do prazer era controlada por dispositivos a serviço do biopoder. - A industrialização dos sexos A reatribuição do sexo em bebês intersexuais são modos de realinhar a ordem heteronormativa do corpo. A produção do sexo não é um mecanismo natural, mas sim a junção de diversas tecnologias que garantem a genderização. Essa produção, antes determinada pela possibilidade de reprodução, passa a ser vista como a produção do pênis como significante sexual — dois modelos de produção sexual. Tecnologias do sexo Mulher = natureza Homem = tecnologia Porém: Mulher = alteração da carne Homem = carne Ao menos historicamente, a mulher é vista como mais próxima da natureza e restrita às suas funções “naturais” e “biológicas”, enquanto o trabalho do homem é visto como modificador da natureza e mais próximo da tecnologia. Ironicamente, a feminilidade não é mais do que um simulacro de si mesma. A masculinidade se torna associada à carne, e a feminilidade como alteração dessa carne (ex: procedimentos estéticos). As teorias aristotélicas de procriação são um exemplo interessante: acreditava-se que o sêmen continha o feto já formado, bastando ser depositado no corpo da mãe. Aqui, entende-se a mulher como corpo passivo e o homem como corpo ativo na procriação — o homem como agricultor e a mulher como terra. No entanto, é preciso repensar tecnologia: ela não pode ser entendida apenas como alteração da natureza, mas como construção da própria natureza. - Próteses de gênero Próteses surgem com o objetivo de reconstruir o corpo do soldado e do operário. A construção e desconstrução do corpo realocam a diferença entre corpo e máquina. “O que estou sugerindo aqui é que o sexo e o gênero deveriam ser considerados como formas de incorporação prostética que se fazem passar por naturais, mas que, em que pese sua resistência anatômico-política, estão sujeitos a processos constantes de transformação e mudança.” “Se os discursos das ciências naturais e das ciências humanas continuam carregados de retóricas dualistas cartesianas de corpo/espírito e natureza/tecnologia, enquanto os sistemas biológicos e de comunicação provaram funcionar com lógicas que escapam a tal metafísica da matéria, é porque esses binarismos reforçam a estigmatização política de determinados grupos (as mulheres, os não brancos, as pessoas queer, os incapacitados, os doentes...) e permitem que eles sejam sistematicamente impedidos de acessar as tecnologias textuais, discursivas e corporais que os produzem e os objetivam. Afinal, o movimento mais sofisticado da tecnologia consiste em se apresentar exatamente como ‘natureza’.”

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    Paul B. Preciado

    Escritor, filosofo e curador contemporâneo cujo trabalho foca em tópicos aplicador e teóricos envolvendo identidade, gênero, feminismo, pornografia, arquitetura e sexualidade. Transgênero, anunciou assumiu o nome Paul em 2015.

    21 Livros
    56 Seguidores

    Paul B. Preciado