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    Mulher das Dunas -

    Kobo Abe

    Palas Athena
    1995
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    98 avaliações
    Leram126Lendo6Querem303Relendo0Abandonos2Resenhas15
    Favoritos8Desejados303Avaliaram98

    Um homem comum, professor de segundo grau, que paga seus impostos em dia etc., desaparece misteriosamente quando vai ao litoral. Ele estava aproveitando um feriado para catar insetos, que coleciona. Caminhando pelas dunas sem fim a procura de pequenos insetos, ele acaba encontrando moradores locais que parecem preocupados com algum tipo de fiscalização. Ele é gentilmente convidado por eles a passar a noite no vilarejo, já que, segundo eles, já perdeu o último ônibus de volta. Ele aceita e é levado por eles até uma espécie de buraco, dentro do qual está a casa onde mora uma mulher sozinha. Ela lhe conta que perdeu o marido e o filho numa tempestade de areia (taifu). A mulher lhe oferece uma janta e segura um guarda-chuva aberto para que a areia que entra pelo teto não caia sobre sua comida. Mais tarde ela precisa sair para retirar a areia que se acumulou durante o dia. Ele ouve, curioso, as histórias que a mulher lhe conta sobre a vida nas dunas. Não acredita em muitas das coisas que ela lhe conta, afinal ele já leu muito sobre a areia. Ela diz que precisa trabalhar à noite, quando a areia está úmida. Segundo ela, a areia seca durante o dia é muito perigosa, desaba. Lutar contra a areia era o dia-a-dia daquela mulher, que não tinha nenhuma chance contra a incrível força da natureza. Ele pensa que talvez fosse possível se aproveitar das características da areia ao invés de tentar ir contra elas, mas vai dormir sem muito se preocupar com os afazeres dela. Todas as casas precisam se livrar da areia acumulada. Caminhões passam para recolher a areia. Dessa atividade depende a segurança de toda a vila. Caso uma das casas desabe, todas as outras acabariam sendo sugadas também. No dia seguinte, quando acorda ele se dá conta de que a escada de acesso foi retirada.

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    Resenhas (15)Ver mais
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    Rafael Barbosa Gonçalves08/03/2022Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Decepção do ano.

    Bom, é uma pena que eu não tenha gostado muito desse livro, já que desde o anúncio da editora de que ele iria sair, eu tinha criado uma certa expectativa por ele. Sou fã de escritores japoneses como o Murakami, Mishima e Dazai, mas não foi o estilo deles que encontrei lendo Kobo Abe. Ao ler a sinopse pela primeira vez, tive breves flashes de Higurashi passando pela minha cabeça, imaginei se tratar de uma obra com personagens tão marcantes quanto, com reviravoltas tão impactantes quanto. Não chegou perto disso, o protagonista é frágil e calcula demais os próprios movimentos, coisa que torna o progresso "real" dele bem lento. A mulher com quem ele convive na casa soterrada pelas dunas sofreu com a grande perda do marido e filho, mas mesmo assim parece não ter guardado ressalvas quanto a se aproximar de outro homem (um completo estranho, nesse caso). Com diversas cenas de abuso psicológico evidente por parte do protagonista, e algumas partes onde os dois fazem sexo, essa relação crua parece ser a coisa mais desagradável do mundo. Não consegui sentir empatia por nenhuma das partes, nem pelo protagonista que foi esquecido pelo mundo exterior, nem pela vila onde ele fica preso por diversos anos, que teoricamente foi isolada do mundo também. O sentimento é de que o autor tentou replicar as grandes obras do Kafka com seus personagens cuja percepção do mundo é totalmente distorcida, mas o que temos aqui é uma boa ideia com execução fraquíssima.

    26 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 98
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Kimifusa Abe profile picture

    Kimifusa Abe

    Kobo Abe (em japonês: Abe Kōbō), pseudônimo de Kimifusa Abe, nasceu em Tóquio e passou a infância e a adolescência na região de Manchukuo, atual Manchúria, então ocupada pelos japoneses, onde seu pai era professor de medicina. A distância do seu país natal propiciou que não tenha desenvolvido laços tão fortes com a cultura nipônica como outros escritores japoneses seus contemporâneos. Em vez disso, o jovem Kobo Abe interessou-se não só pela matemática e pela entomofilia, como também pela filosofia ocidental, sobretudo a de Jaspers, Nietzsche e Heidegger. Kobo Abe retornaria ao Japão em guerra em 1941, ingressando, dois anos mais tarde, na Universidade de Tóquio como estudante de Medicina. Licenciou-se em 1948, com a promessa de nunca vir a exercer a sua profissão. Em vez disso, decidiu dar início a uma carreira como escritor. Kobo Abe tornou-se membro da tertúlia literária Yoru no kai (Associação da Noite) liderada por Kiyoteru Hamada, inspirada pela tentativa de fusão da estética surrealista com a ideologia marxista, e a se interessar por teatro e cinema de vanguarda. A sua primeira obra, uma coletânea de poemas intitulada Mumei Shishu (Poemas de um Poeta Desconhecido), que havia escrito em 1943, foi publicada em edição do autor em 1947. Ganharia uma certa reputação em 1948, com a publicação do romance Owarishi Michi No Shirube Ni (O Sinal no Fim da Rua). Seu experimentalismo foi bem acolhido pelas gerações mais jovens e recebeu prêmios pelos seus três contos Akai Mayu (O Casulo Vermelho, 1950), Kabe (1951) e S.Karuma-shi no Hanzai (O Crime de S.Karuma, 1951). Por este último, em que utilizou um estilo e um tema de género kafkiano, Kobo Abe foi distinguido com o Prêmio Akutagawa, o mais prestigiado prêmio literário do Japão. Essa tendência prosseguiu e veio a caracterizar definitivamente a obra do autor. Dedicando-se também ao teatro, Kobo Abe tornou-se, na década de 70 e com a morte de Yukio Mishima, um dramaturgo de forte reputação, assegurada por peças como Tomodachi (Amigos, 1967), Bo Ni Natta Otoko (O Homem que se Transformou num Pau, 1969) e The Suitcase (A Mala, 1973).

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    Tóquio, Japão

    Kimifusa Abe