Este é o segundo romance de Joseph Conrad. É uma pre-sequência do primeiro "A loucura de Almayer". Nele, é mostrado como os personagens chegaram a posição na qual os encontramos no início do primeiro livro. Aqui também é retratado com mais detalhes o início da queda de Almayer, que mantinha, a princípio, o monopólio do comércio de Sambir, colônia britânica na Malásia, cenário deste épico.
O lendário e extravagante capitão Lingard, apenas mencionado no primeiro, aparece e atua, sendo um dos personagens da trama. Suas ações chegam a ser providenciais em alguns momentos. Conhecido por seu poder e fortuna, assim como Almayer, seu protegido, aos poucos o capitão também perderá a sua influência e poder sobre Sambir.
Contudo, o personagem principal, que justifica o título, é um funcionário holandês da compania colonial Hudig, chamado Peter Willems. Assim como Almayer, ele também é um protegido do capitão Lingard.
Após ter roubado uma quantia significativa do seu local de trabalho, o orgulhoso Willelms é demitido. Após uma terrível discussão com sua esposa e com os familiares dela, Peter resolve abandonar sua casa e se suicidar. Em suas andanças, acaba topando com o capitão Lingard. O velho lhe conta que havia saldado sua dívida e que também conversara com sua esposa. Logo, ele poderia retornar a casa e ao trabalho. Peter reluta em fazê-lo, devido a aversão que sente por sua eposa, devido ao fato dela ser mestiça, além de descobrir que ela era filha de seu patrão. Então, por sugestão do capitão, para esfriar a cabeça, concorda em passar um tempo em Sambir, na casa de Almayer.
Almayer antipatiza logo de cara com Willems por ser outro protegido de Lingard, pois ele deseja que a fortuna deste seja herdada pela sua filha Nina (protagonista do primeiro romance, mas que ainda é criança durante os eventos desta narrativa). Como se não bastasse a antipatia do primeiro, Willems acaba se apaixonando por Aissa, uma princesa local refugiada em Sambir. Esse paixão será a caixa de Pandora para as tragédias subsequentes da trama.
Mais uma vez, com maestria, Conrad narra a história de acordo com o ponto de vista dos personagens . O narrador não se intromete na história e, muitas vezes, as informações chegam até nós através de diálogos de um para com o outro, o que pode nos dar o benefício da dúvida em relação ao que é dito. Conrad também consegue ser psicológico e descrever com maestria os cenários e fenômenos naturais, os quais, muitas das vezes, refletem o estado de espírito dos personagens, como uma tempestade, com relâmpagos, em meio a uma peleja entre dois personagens da trama.
Mais uma vez, Conrad mostra a que veio, embora seu primeiro Magnum opus seja considerado a obra que veio depois desta.