O jeitinho Blake de ser
“O ponto mais trágico da nossa existência não é quando estamos no fundo. É quando estamos no topo, quando alcançamos a perfeição e começamos a ver tudo diminuindo, como imagens em um retrovisor.” Decidi começar essa resenha com a passagem que mais me pegou durante a leitura. O que é a vida além de uma caminhada para alcançar seus objetivos? E quando você chega lá, o que acontece? Lancelot Blue, nosso narrador, possui a cara de um dos atores mais famosos de Hollywood, vencedor de Oscar e protagonista de incontáveis filmes bem sucedidos. Seu objetivo? Ser James Jansen, afinal, eles poderiam ser gêmeos. (É o que todos dizem). “Famous” possui uma narrativa simples, muito simples, quase sutil demais. Parece aquele livro levinho para ler numa tarde livre de sábado, e por boa parte, ele é. Até que não é mais. Blake Crouch traz mais uma história sobre escolhas, sobre “o que você faria se estivesse naquele lugar?”. Eu fiquei impressionada com a forma que a narração em primeira pessoa se moldou, achei até genial, levou para um caminho que não esperava. Mas talvez, para você, o caminho seja previsível. Senti que o autor construiu essa história de uma forma que você imaginasse o final de acordo com a escolha que você faria se estivesse no lugar de Lance. E foi isso que me fez gostar tanto do livro. Infelizmente “Famous” não possui uma publicação no Brasil, mas se você é alguém que quer aprimorar seu inglês e está procurando um livro fluido e fácil de acompanhar, esse é um ótimo começo. Ah, e para quem já leu algum livro do Blake, sim, o final é daquele jeitinho Blake de ser.

