A reportagem que mais gostei foi "D. Pedro II, o nerd", que mostra o imperador como alguém que valorizava e incentivava as pesquisas, as artes e o conhecimento científico em diferentes áreas. Nessa busca, realizou várias viagens pelo mundo, resultantes em importante patrimônio científico, doado para as instituições brasileiras.
O aspecto mais relevante esteve na criação das filhas, em que teve participação ativa, educando-as com diferencial do contexto de conhecimento em que as mulheres viviam (essencialmente nas atividades domésticas). Isabel era uma das mulheres mais cultas de seu contexto.
A reportagem também dá destaque à história do meteorito Bendegó. Na época, considerado o segundo maior do mundo com suas pouco mais de 5 toneladas (atualmente é o 16º, sendo o maior encontrado na Namíbia, com peso estimado em 60 toneladas). O imperador não poupou esforços para disponibilizar o Bendegó para as pesquisas e incorporação no patrimônio natural guardado em nossas instituições científicas.
"A outra Chernobyl" fala de outro acidente nuclear na Rússia, em Mayak, no ano de 1957 (referenciado como o segundo mais grave), revelado ao mundo apenas no final da década de 1980.
Chama a atenção as causas (explosão de reator nuclear que beneficiava metal radioativo, para produção de bombas), a solução empregada (uma operação secreta similar a de filmes, evacuando às pressas a população, matando o gado e vários animais, isolando a região e impondo silêncio por décadas), e a atual situação (o local virou uma reserva natural, mas com índices elevados de radiação sobre a fauna e flora, que foram afetadas).
Ilustração de interesses e disposições escusas que permeiam as nações...
Na reportagem de capa, sobre "Vitaminas", gostei do teor prático, com informes de que em excesso são danosas e é necessário orientação especializada para o uso de suplementos (coisa banalizada em nossa sociedade).
Veja o caso da Vitamina C, em excesso pode potencializar formação de cálculos renais (já sabia, pois sofro desse mal); a Vitamina D com cálcio dos suplementos pode predispor derrame cerebral; e as Vitaminas A e E podem se associar ao desenvolvimento de cânceres (respectivamente, com maior incidência no pulmão e próstata).
Lembrando que não é um texto sensacionalista, mas esclarecedor sobre uso abusivo e indiscriminado, incentivando a ingestão natural em alimentação saudável e, se necessário, o uso suplementar com orientação especializada.
Gostei da explicação do porquê potencializam câncer em uso indiscriminado, como no caso da Vitamina A. Segundo o texto, esta inibe a oxidação (morte) celular, porém, no mecanismo natural do organismo, algumas células deficientes são produzidas com certa frequência, sendo porém eliminadas pela defesa natural. Com o excesso vitamínico (como a Vitamina A), estas células estão sujeitas a menos ação inibitória (eliminação pela defesa) e assim começam a desenvolver câncer (é uma explicação simplificada, mas também já tinha lido algo semelhante na época de acadêmico em Enfermagem, em Fisiopatologia).
No mais, a edição tem outras curiosidades e informações, mas o destaque vai para essas três reportagens.