Que eu seja a última - Minha história de cárcere e luta contra o Estado Islâmico

    Nadia Murad

    Novo Século
    2019
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788542815672
    Português Brasileiro

    Nestas intimistas memórias de sobrevivência, uma ex-prisioneira do Estado Islâmico conta a sua angustiante, mas inspiradora história. Em 15 de agosto de 2014, quando Nadia tinha apenas 21 anos de idade, sua vida terminou. Os terroristas do Estado Islâmico massacraram o povo de sua aldeia, executando os homens que se recusaram a se converter ao Islã, e as senhoras idosas demais para se tornarem escravas sexuais. Seis dos irmãos de Nadia foram mortos, e pouco depois, também a sua mãe. Os corpos foram jogados em valas comuns. Nadia foi transportada à força a Mossul e, junto com milhares de outras moças iazidis, vendida como escrava pelo Estado Islâmico. Nadia fora mantida em cativeiro por vários terroristas, e passou a ser continuamente estuprada e espancada. Contudo, ela conseguiu fugir pelas ruas de Mossul, encontrando guarida no lar de uma família muçulmana sunita, cujo filho mais velho arriscou a vida para contrabandeá-la a um local seguro. Hoje, a história de Nadia — como testemunha das atrocidades do Estado Islâmico, sobrevivente de estupro, refugiada, iazidi — forçou o mundo a prestar atenção ao genocídio em andamento no Iraque. É um chamado à ação, um testamento à vontade humana de sobreviver e uma carta de amor a um país perdido, uma comunidade frágil e uma família destroçada pela guerra.

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    Lais Sauter23/12/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Conhecer a história para não repeti-la

    Essa autobiografia é, provavelmente, a mais magnífica que já li. Muito bem escrita, é extremamente informativa sobre a violência cometida pelo Estado Islâmico contra outras minorias religiosas. Através dessa leitura conheci um pouco da religião Iázidi e o preconceito que sofre das religiões abraâmicas, muito por conta da falta de entendimento sobre o que prega sua fé. Foi bastante interessante entender mais sobre a dinâmica social e familiar desse povo, assim como o que sofreram nas mãos do EI. O livro acompanha a história de Nadia, desde sua infância na aldeia de Kocho, até o período da invasão do EI e permanência sob o jugo de seus membros, além de sua libertação e mais informações sobre a guerra que ocorre dentro do Iraque, abrangendo a esfera política com muitos detalhes. Sua história é triste, me peguei angustiada muitas vezes enquanto lia, desacreditada sob a extensão da maldade humana em nome de uma ideologia extremista. Ao mesmo tempo, me senti esperançosa ao ver a ajuda que teve de pessoas que compartilham da mesma fé, mas jamais do extremismo, e estão dispostas a viver auxiliando os demais a se libertarem de um estado de vida em que ela não lhe pertence. Um livro com temas pesados, é, ainda assim, uma leitura essencial para compreender a realidade vivida por minorias religiosas, um livro muito interessante, acima de tudo, para acolher vivências daqueles que sofrem nas mãos do extremismo, e fazermos o possível para impedir que isso continue acontecendo.

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