Percursos da escola - Entre Nietzsche & Deleuze

    Karen E. R. Nodari

    Editora Mikelis
    2017
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9788593458118
    Português Brasileiro

    Este livro trata-se de uma escrita que, instalada num ponto de vista, descreve percursos através de personagens em deslocamento. O texto situa-se entre a ficção e a realidade, destacando o menor de uma vida, originando uma cartografia com traços biografemáticos, a fim de que o novo seja produzido. Na sua primeira parte, o leitor será introduzido aos movimentos dos últimos dias de sanidade de Nietzsche em Turim. Percursos que o levam a ter pensamentos sobre uma escola. A questão dos caminhos repetidos continua a ser desenvolvida nas partes dois e três da obra. E assim, os conceitos filosóficos de simulacro, repetição e diferença começam a operar. Apesar de não haver nenhuma citação literal, estão todos lá, a afrontar às certezas, às verdades estabelecidas sobre os modelos de aluno, de professor, de aula e de aprender. Este livro é um convite ao repensar, num espaço que pode ser escolar ou não!

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    Miguel Silva08/08/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A vida cotidiana na escola

    Karen Nodari Percursos, foram muitos - extensivos e intensivos. Personagens em deslocamento, num espaço que tanto pode ser escolar como não. Lugares tanto conhecidos como desconhecidos. Movimentos repetidos. De Nietzsche, alunos, professores, funcionários, pais. Da estação de Porta Nuova até a Piazza Carlo Alberto. Do ponto do ônibus até a escola. Do pátio ao saguão. Do corredor às reuniões. Dentro da sala de aula. Sempre iguais, mas nunca os mesmos. Traçado de linhas que extrapolam pontos. O primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, período da manhã. De março a dezembro. Cinco dias por semana. Repetir. Repetir. Repetir. Falas, gestos, posições. Contudo, por mais que na escola se repita visando à reprodução exata, ela nunca acontece. Nenhum caminho é igual ao outro. Voltas e revoltas pelos corredores, pelo saguão, pelas salas de aula, pelas salas de reuniões. Trilham-se percursos imprevisíveis dentro dos previsíveis. Mesmo que não se saia do lugar. Pois, há uma potência própria da repetição. Num instante, surgem linhas que escapam ao conhecido, ao esperado, fogem ao pensamento representacional. Afinal, aqueles trajetos são de um só personagem e de vários? Trata-se de um único percurso e também de muitos? O quê? Ninguém sabe dizer. Isso não importa. Suspense produzido por aquele que foge à representação. O próprio movimento de estabelecer a identidade entre o que se ensina e o que se aprende, entre a produção e o produto da escola, faz surgir algo indiferenciado de difícil distinção. Um afrontamento às certezas, às verdades estabelecidas sobre modelos de aluno, professor, aula, aprender, pensar. Para poder criar.

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