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    Jesus de Nazaré: pessoa divina na história humana (Fascículo Religião 01) - Autor: Ronaldo Miguel da Silva

    Miguel Silva

    Editora Mikelis
    2017
    27 páginas
    54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Jesus de Nazaré é aquele que passa fazendo o bem às pessoas, que tem compaixão delas, que anuncia a misericórdia de Deus, que está atento aos pobres, doentes e pequenos e que sempre reza ao Pai. Jesus é aquele sujeito da história humana que trabalhou com mãos de homem, sofreu com coração humano, chorou de emoção, suou sangue na hora da agonia e, num espírito de plena liberdade, morreu no madeiro da maldição. Ele é o homem de Nazaré e é o Filho de Deus. Esse fascículo apresenta a pessoa de Jesus de Nazaré, começando a partir de sua historicidade humana.

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    Miguel Silva08/08/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Deus, Homem, História...

    Por Miguel Silva O lugar próprio do discurso teológico sobre o ser humano se encontra na tarefa de acompanhar o espírito humano e resgatar seu sentido integral, antes deixado fragmentado pelas outras ciências; sua missão é resgatar o discurso que as outras ciências não tornaram compreensíveis, fugindo da alienação e observando os sinais dos tempos. Nesse sentido, nem tudo fala do mesmo modo ao ser humano em cada época. Aproximar-se dos novos eventos antropológicos é assumir responsabilidade histórica, algo que requer tanto a coragem de rever interpretações quanto a prudência de não extrapolar dados. Que a teologia não seja antropologia isto é certo; mas que tenha um discurso autorizado e credível sobre o ser humano em muitas dimensões, mais cabalmente sobre o ser humano em sua relação com Deus, isto é fato. E ao tratar da relação do humano com Deus, o elemento interativo é direcionado a Jesus Cristo. Isto porque é vantajoso para o ser humano não correr o risco de uma compreensão de si mesmo apenas por meio da imanência. Por isso, o discurso teológico contribui de modo relevante, repensando os conceitos implicados em diálogo estreito com a filosofia, a antropologia e a fé em Cristo. Como toda ciência, a teologia possui uma trajetória histórica consolidada, um discurso teórico sistematizado, um método epistemológico próprio e sua eficácia reside justamente em ser sempre contemporânea a cultura humana. Para a teórica política alemã Hannah Arendt a questão do ser humano não é menos teológica que a questão de Deus. Pois a teologia, ao lado de outros discursos sobre o ser humano e tanto quanto eles, propõe respostas que podem interessar à antropologia. É por isso que a teologia ousa e pode dar sua contribuição: “certamente seu discurso refere-se antes a Deus. Mas refere-se também ao ser humano, na medida em que a teologia em grande parte pensa Deus para pensar o ser humano”. Nesse sentido, a teologia, a partir do seu lugar, oferece ao ser humano um discurso específico e que somente ela pode oferecer: o discurso humano sobre Deus e o discurso de Deus sobre o ser humano num intercâmbio de significados. Assim, a verdadeira tarefa da teologia é a de manter viva e atuante a experiência da revelação, pois mesmo que a linguagem científica goze de um forte privilégio, ela não é a única que consegue fazer-se ouvir e obter êxitos. A respeito disso, é sabido que “as dificuldades são grandes, devido à mudança enorme e revolucionária produzida na cultura. Mas talvez seja justamente a radicalidade da mudança que abre a autêntica possibilidade da solução”, mesmo que esta não seja esperada medianamente unânime e plenamente satisfatória. Com a morte das últimas pessoas que foram testemunhas de Jesus Cristo, as questões doutrinais já não podiam ser mais resolvidas apelando para a autoridade apostólica; aí nasce o momento decisivo para a teologia: refletir a partir da doutrina recebida de Cristo através dos apóstolos e ser fiel a esta doutrina, enfrentando as situações que surgiriam com o desenvolvimento do cristianismo pelas diversas regiões e culturas por onde a fé lançaria suas raízes. A literatura apostólica, do início do cristianismo, foi de grande importância para preservar e estabelecer uma teologia sadia. A leitura e os comentários das escrituras, ao mesmo tempo em que se constituíam como método, ofereciam grande riqueza ao mundo cristão. Consideráveis também são os pensamentos teológicos elaborados pelas teologias primitivas em Alexandria, Cartago e Antioquia, entre outras. Nesse decorrer histórico, conhecida foi sua forte relação com a filosofia, algo que pode ser constatado ao longo de toda história do cristianismo. O final do segundo século e início do terceiro representou um momento importante para a teologia, especialmente pelo seu deslocamento geográfico mais intenso para o norte da África. Ao longo do tempo, o cristianismo teve que enfrentar dificuldades de diversas ordens. Algumas internas e outras externas. Realizaram-se os concílios, os quais foram primordiais para o desenvolvimento da teologia, pois neste período a teologia aprofundou conceitos doutrinais e o magistério definiu formulações de fé que se constituíram a base da fé cristã de todos os tempos. No período conhecido como baixa Idade Média se desenvolveu a teologia escolástica, como um movimento generalizado e de grande vigor. Seu valor místico e de método peculiar, revelava um caráter universalista da teologia. Em sua plenitude a escolástica evidenciou a importância da relação entre a universidade e a teologia, entronizando numa e noutra grandes pensadores, produzindo grande impacto no ambiente universitário e conseguindo uma síntese harmônica entre a filosofia e a revelação. Posteriormente, conhecidos são os movimentos da reforma protestante e da contrarreforma. Eles, por sua vez, exigiram um olhar teológico atento aos conteúdos de fé colocados em questão. As grandes transformações sociais e políticas que se sucederam do final do século XVIII ao início do século XX exigiram, ainda, maior atenção por parte da teologia. A crise da época deu lugar a uma ampla discussão teológica que foi denominada de modernismo, condenado posteriormente. Porém, seria injusto identificar o início do século XX apenas com o movimento modernista. Desde os primeiros momentos do século, a vida cristã conheceu uma série de iniciativas e movimentos que contribuíram para a teologia continuar o processo de renovação já iniciado no século XIX. O período entre as duas grandes guerras foi especialmente fecundo na teologia da França e Alemanha. Certamente este florescimento é fruto da recuperação da escolástica e do pensamento cristão levado a cabo pelos neotomistas. Outro elemento importante foi a virada antropológica no método teológico, de maneira que os conteúdos da revelação cristã apresentados como realidades correspondentes ao sujeito humano passaram a ser interpretados desde o ser humano e a partir dele. No período atual, a teologia tem se deparado com novas realidades. Nesse sentido, o desafio da teologia está em elaborar um método epistemológico eficiente e suficientemente capaz de “compreender o significado da lógica da razão sensível, necessário ao contexto pós-moderno, capaz de ser complexa, nômade, aberta, transversal, plural e flexível”. Dessa maneira, diante da pluralidade de situações, a teologia deverá ser criativa e fiel para cumprir sua missão de suporte da evangelização. Com isso a teologia se constituirá, de fato, em seu propósito transdisciplinar, reforçando a sua identidade como ciência e reflexão da fé, visando a sua contemporaneidade científica. Nesse cenário a reflexão cristológica revela também o lugar do ser humano na história, pois o lugar vivencial da cristologia não se resume no discurso sobre a transcendentalidade de Jesus Cristo. Busca, além disso, compreender sua historicidade, permitindo ao ser humano tomar consciência de sua humanidade na comparação com o divino. Um aspecto importante para a cristologia deve ser a busca pela construção de um discurso sobre o conteúdo da revelação cristã dado em Jesus Cristo, uma vez que o interesse que Jesus desperta “resulta da função que desempenhou justamente como pessoa”. O que segue é um esforço de apresentar a pessoa de Jesus de Nazaré, começando a partir de sua historicidade humana. Nesse sentido, tem-se o privilégio da distância histórica do evento Cristo, uma vez que transposto o episódio da encarnação passamos a compreender com maior facilidade o verbo divino. Dessa forma, ao falar sobre Jesus de Nazaré devemos sempre ter a reserva histórica, pois “não há uma resposta final quando abordamos sobre a história. Devemos manter a distância crítico-histórico necessária”. Cada época tem seus pontos cegos, seus preconceitos, suas descobertas, suas maneiras de formular e interpretar questões sobre os fatos. Nesta abordagem, a vida pré-pascal de Jesus de Nazaré é de suma consideração, pois revela traços importantes para a existência humana. Expor um perfil, a partir de referências teóricas, buscando conhecer o contexto da vida de Jesus, como nasceu, viveu e morreu, sentir a força da sua autoridade e a coerência de vida, descobrir seu amor pelos pequenos e pelos pobres, constatar as razões pelas quais foi morto, são dados que qualificam esta leitura. Para começo de conversa, surge uma questão bem prática que segue.

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    Miguel Silva

    Miguel Silva é um pesquisador nas áreas de Psicologia, Psicopedagogia, Filosofia, Religião, Espiritualidade, Filosofia Clínica e Literatura. Possui Doutorado, Mestrado e algumas Pós-graduações. Terapeuta, Professor Universitário e Conferencista em eventos brasileiros e internacionais (Itália, Espanha, Grécia, Israel, Uruguai e Portugal). Possui vários livros escritos, entre os quais, "Entrelaços: vidas controversas", "Pós-humano" e "Conhecimento compartilhado via testemunho". Tem muitos artigos publicado em revistas científicas e comerciais. Nos últimos anos, tornou-se Editor, fundando a Editora Mikelis (Porto Alegre-RS), a qual tem crescido e se destacado no mercado editorial brasileiro. Um jovem humilde e brilhante!

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