Tirando a dedicatória [em si um lindo poema] + um texto, confesso que não teve nenhum que me deixasse eufórica em relação a estrutura; um que eu gostasse como a forma de um todo, ao invés de apenas uns 3 ou 4 versos isolados — mas é aí que, pra mim, o livro ganha em peso, justamente. os poemas como um todo podem não ter sido memoráveis, mas muitas imagens, construções, versos em punhados são. "a beleza é minha emancipação". disso eu vou lembrar — "esquecer eu não posso — posso dizer / que irei me lembrar".
na matéria, romã é amor, desejo, tesão. e é maduro. é rio já em curso. o que não torna perdas não menos sentidas — embora deva sugerir que esse, sim, me pareça um livro alegre, um livro mais alegre do que o suposto alegre "A teus pés", nas palavras de Ana C. tem seus momentos de caçoação (?) e ironia, mas também sentimento, ainda mais pelo que rebrilha, do que se destaca no caminho. gostei de ter sido um livro com o qual eu conversei um tanto, inclusive dialogando pela escrita de outros poemas.
ler para escrever — as minhas leituras mais produtivas são assim. se eu disse na resenha de seiva, veneno ou fruto que o mérito dele era a proposta de nadar contra a corrente do eu e da imediatez cotidiana, romã é seu antípoda. é eu, é amor, é cotidiano [ainda trabalhado pela linguagem, claro], é urbano [sem esquecer o vegetal e o além]. talvez por isso mesmo tenha um maior apelo de público, como ouvi da própria julia num curso um tempo atrás.
para todo efeito, é mesmo forçoso [veja bem: menos forçoso e não mais fácil] para o leitor criar uma aderência a esses poemas e às situações que ele narra/versa. com muito eco de estilo em Ana C. [mãe de nós, contemporâneas], é um livro que, como os de Ana C., te convida à escrever na leitura. a escrever o livro dos seus amores: ou arte de amar. e isso, pra mim, vale um bocado.