Que o folclore brasileiro é bastante rico, muita gente já sabe. Lendas indígenas como as da Iara e do Boitatá estão no nosso imaginário desde tempos imemoriais. Contadas através da tradição oral nas tribos, essas mesmas lendas se fazem presentes em nosso cotidiano. Tive a felicidade de encontrar este conto e convidar a autora para fazer parte do nosso projeto. Ela ficou com o terceiro lugar no concurso "O que me contas?", da Academia Saltense de Letras.
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Quando descobri que Aicá significava boto em tupi, minhas expectativas foram pro cume das montanhas. Felizmente, foi uma grata surpresa e não me decepcionei.
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De forma a preservar as tradições e o idioma tupi, o conto mostra, de forma poética, a lenda de Aicá, um homem sedutor, com pele rosada, que seduziu Yami, uma jovem índia. As diferenças entre eles são enormes, e Yami tem medo do futuro. Todavia, a atração e o desconhecido falam mais alto e, contrariando sua mãe, resolve mergulhar de cabeça numa relação. Há um misto de magia e sexualidade, e de atração e amor, apesar das diferenças.
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A lenda do boto tem sua origem no norte do país, em especial, na Amazônia. Ela é usada muitas vezes para justificar uma gravidez fora do casamento, uma vez que o galante boto, depois de seduzir as moças, abandonava-as no dia seguinte. O interessante do conto é que há muitas palavras em tupi; a priori, pode deixar o leitor com um pé atrás, mas isso é ledo engano. A leitura é tão envolvente que passamos a entender usando a linguagem do coração. Ao final do livro, existe um glossário com os termos; então, se você preferir, pode começar lendo o mesmo para se acostumar com a linguagem.
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Ana, seu conto é incrível e encantador! Você me cativou com a forma peculiar de escrita, e estou me organizando para ler seus outros contos. Obrigada por ajudar a difundir nossos mitos e lendas, que são pouco falados, e acabam sendo esquecidos. É a valorização da cultura brasileira, que devemos sempre buscar preservar!