A escola do Recife (Ensaios #7) -

    Nelson Saldanha

    Convívio
    1985
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-10: 8570700032
    Português Brasileiro

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    Filino Carvalho Neto19/08/2019Resenhou um livro
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    Excelente obra sobre um importante movimento intelectual brasileiro

    Nelson Saldanha escreveu uma obra preciosíssima. "A escola do Recife" retraça o itinerário de grandes figuras que, cada uma a seu modo, fizeram parte do pensamento brasileiro da segunda metade do XIX até o início do século XX. O autor inicia por uma caracterização de Pernambuco e do Recife, enfocando em seguida aquele que seria o iniciador (ou melhor, o catalisador) daquele movimento: Tobias Barreto. Os percalços da vida do ilustre sergipano, suas polêmicas e seu germanismo são expostos de modo claro, ressaltando Nelson Saldanha a filiação daquele autor ao pensamento monista de Haeckel e a sua crítica à sociologia. Em seguida, trata de Silvio Romero, outro ilustre sergipano que deu nome, inclusive, àquele movimento. Ressalta que, ainda que o próprio Romero não se visse como "discípulo" de Tobias, os laços que os uniam eram estreitos, ainda que suas reflexões não fossem totalmente convergentes. O autor ressalta que não se deve compreender a Escola do Recife como uma corrente de pensamento única, monolítica. Pelo contrário: em que pese a figura de Tobias Barreto e a enorme influência naqueles que o sucederam, isso não significa que os demais estudiosos que fizeram parte a Faculdade de Direito seguiam todos os seus passos. Expõem-se as particularidades dos pensamentos daqueles que o sucederam, a exemplo dos também sergipanos Gumersindo Bessa, Fausto Cardoso e Prado Sampaio, além de nomes como Clóvis Beviláqua, Artur Orlando e Martins Júnior. Nelson Saldanha não deixa de destacar que, exageros a parte (sobretudo no caso de Tobias), deve-se destacar que a Escola do Recife constituiu uma tentativa de reflexão por estas bandas, ainda que arrimada em autores d'além-mar. E ressalta as dificuldades de obtenção mesmo de material para estudo e de como se davam esses estudos - afinal, em boa parte das leituras daqueles intelectuais, esse esforço vinha do próprio cultivo (autodidatismo), sem uma diretriz formal (excetuando-se, obviamente, o Direito). Igualmente o autor ressalta a profícua produção nos mais diversos temas, a partir dos escritos daqueles que fizeram parte ou se relacionaram com a referida Escola: Direito, Filosofia, Literatura, Sociologia... Completam a edição dois ensaios. Um sobre a própria Escola e outro sobre Martins Júnior. Trata-se, enfim, de uma obra magnífica, de leitura fácil e extremamente agradável. E altamente recomendável para quem se interessa pela história das ideias no Brasil.

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