“A letra mata!” Esta afirmação ressoou em nossos ouvidos. Fazemos parte de uma geração que ainda vivenciou esta realidade. Queremos agradecer ao Pr. Altair Germano pela bela iniciativa de nos brindar com esta obra tão esclarecedora acerca da Educação Teológica nas Assembleias de Deus no Brasil. A forma didática como desenvolveu o tema, com leveza e profundidade, permite a todos a possibilidade de compreender o caminho da educação teológica desde a Reforma Protestante até os nossos dias. A Reforma Protestante trouxe benefícios educacionais, não apenas para a Igreja, mas para toda a sociedade. A contribuição da Reforma Protestante para a educação foi significativa. Seus líderes, de modo geral, não estavam preocupados somente com a formação espiritual dos crentes, mas buscavam também uma base cultural sólida. Em decorrência dos princípios da Reforma, há uma ênfase na obrigação à leitura, compreensão e a interpretação da Bíblia. A ideia da escola pública e para todos, organizada em três grandes ciclos (fundamental, médio e superior) e voltada para o saber útil nasce do projeto educacional de Lutero. Ao longo do tempo, a educação teológica formal foi vista tanto como algo fundamental como des-necessária, já que praticar o cristianismo era mais importante do que conhecer sistematicamente a Palavra. Não há dúvida quanto à importante contribuição da pregação de Wesley; no entanto, cres-cer em graça e em conhecimento já era a prédica do apóstolo Pedro em seus dias (2 Pe 3.18). Certamente, nossos pioneiros e fundadores foram fortemente influenciados por aqueles que não acei-tavam o estudo teológico sistemático, pelo exce-ssivo zelo de não criar uma geração acadêmica em detrimento de uma geração espiritual. No entanto, como podemos perceber ao longo desta obra, o Espírito Santo cooperou nas decisões para que não ficássemos desprovidos de uma educação teológica mais consistente. A simplicidade dos primeiros obreiros nas Assembleias de Deus no Brasil não ofuscou o brilho de seu trabalho. Esta se tornou a maior denominação no Brasil. Evidente que hoje temos um grande número de obreiros que buscaram a educação teológica formal nos mais variados seminários e escolas teológicas. Até mesmo o Ministério da Educação no Brasil arrogou para si o curso e o título de bacharel em teologia. Isto provavelmente trará algumas dificuldades, já que teremos teólogos sem uma linha denominacional definida. Em vez dos simples obreiros espirituais do passado, poderemos ter modernos obreiros com teologias liberais. Assim, o cuidado com a Educação Teológica de-verá ser sempre primado nesta geração. Entre tantos métodos, o método histórico-gramatical ne-cessita ser observado, pois tem por objetivo achar o significado de um texto sobre a base do que suas palavras expressam em seu sentido simples, à luz do contexto histórico em que foram escritas. A interpretação é executada de acordo com regras gramaticais e semânticas comuns à exegese de qualquer texto literário, baseada na situação do autor e do leitor de seu tempo. Desta forma, fica evidente que isto não representa uma leitura superficial do texto. Esta exegese requer conhecimento dos antecedentes linguísticos, históricos, culturais e geográficos do texto. Que o Senhor aguce todos os sentidos daqueles que se debruçarem sobre esta obra. Que tiremos profundas lições da história vivida até aqui. A melhor maneira de evitarmos o erro e o engano é através do sólido conhecimento da Palavra de Deus.



