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    Os Escritores - As Históricas Entrevistas da Paris Review

    Milan Kundera

    Companhia das Letras
    1988
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-10: 8571640750
    Português Brasileiro
    4.3
    6 avaliações
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    Duanne Ribeiro picture
    Duanne Ribeiro06/11/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Citações

    Não é uma resenha, são citações do livro. Falam por si só. --- "Todos nós fracassamos em realizar nosso sonho de perfeição. De modo que estimo a nós todos com base no nosso esplêndido fracasso em realizar o impossível. (...) É por isso que ele continua trabalhando, tentando de novo; ele acredita sempre que dessa vez irá conseguir, irá realizar o que quer. É claro que não conseguirá, é por isso que essa é uma condição saudável. Uma vez que o fizesse, uma vez que equiparasse a obra à imagem, ao sonho, não lhe restaria mais nada a não ser cortar a garganta, saltar desse pináculo da perfeição para o suicídio." William Faulkner --- "Como a sociedade de hoje não possui uma religião poderosa nem uma rígida hierarquia de classes sociais, e as pessoas sentem medo da grande organização na qual elas são apenas uma mínima parte, para elas, ler alguns romances é um pouco como olhar pelo buraco da fechadura para saber o que o vizinho está fazendo e pensando – será que ele tem o mesmo complexo de inferioridade, os mesmos vícios, as mesmas tentações? Isso é o que elas estão buscando numa obra de arte. Penso que um número maior de pessoas hoje em dia se sentem inseguras e estão à procura de si mesmas. (...) Um homem comum, cinqüenta anos atrás... hoje há muitos problemas que ele desconheci. Cinqüenta anos atrás ele tinha as respostas. Agora não as tem mais." George Simenon --- "A única possibilidade de vitória sobre a lavagem cerebral é o direito de cada homem ter suas idéias julgadas uma de cada vez. Nunca se obtém clareza enquanto se tem essas palavras enlatadas, enquanto uma palavra for usada por vinte e cinco pessoas de vinte e cinco maneiras diferentes. Essa me parece ser a primeira luta, se é pra sobrar algum intelecto. É duvidoso se haverá espaço para a alma individual sobreviver de alguma forma." Ezra Pound --- "(pergunta) [O amor tem muita importância nos seus romances?] Nenhuma. Não se precisa disso. (pergunta) [E a amizade?] Não mencione isso também." Louis-Ferdinand Céline --- "Existem também todas as formas de vício espiritual. Qualquer coisa que puder ser feita quimicamente poderá sê-lo de outras maneiras – isto é, se tivermos conhecimento suficiente dos processos envolvidos. Muitos policiais e agentes de narcóticos são viciados justamente no poder, em exercer uma espécie suja de poder sobre pessoas indefesas. O tipo sujo de poder: chamo isso de droga limpa – a legalidade; eles são a lei, a lei, a lei... e se perdessem esse poder, sofreriam sintomas excruciantes de privação. O quadro que temos de toda a burocracia russa, pessoas que estão exclusivamente preocupadas com poder e vantagem, isso deve ser um vício. Suponha que o percam? Bem, toda a vida deles foi assim." William Burroughs --- "O volume de julgamentos que se é solicitado a fazer depende da receptividade do observador, e, quando se é receptivo, tem-se um número aterrador de opiniões a dar: “O que acha disto, daquilo, do Vietnã, do planejamento urbano, das vias expressas, do sistema de coleta de lixo, ou da democracia, de Platão, da pop art, do Estado do bem-estar social, do grau de alfabetização na ‘sociedade de massa’?” Pergunto-me se algum dia haverá tranqüilidade suficiente, sob as circunstâncias modernas, que permitam ao nosso Wordsworth contemporâneo relembrar qualquer coisa. Acho que a arte tem algo a ver com a obtenção da quietude no meio do caos. Aquela quietude que também caracteriza a prece ou a que antecede a tempestade. Acho que a arte tem algo a ver com a captura da atenção em meio à distração." Saul Bellow --- "(pergunta) [Dezessete anos atrás, o senhor disse: “Nenhum poeta honesto jamais poderá ter certeza absoluta do valor permanente do que escreveu. Ele pode ter desperdiçado seu tempo e complicado sua vida por nada”. Sente a mesma coisa agora, aos setenta anos?] Pode ser que haja poetas honestos que tenham certeza. Eu não tenho." T.S. Eliot --- Eu também as coloquei aqui, com boa formatação: http://obacamarte.blogspot.com/2008/02/escritores.html

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    Milan Kundera profile picture

    Milan Kundera

    Milan Kundera é um autor tcheco. Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto. O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967. Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

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    Milan Kundera