O livro chegou até mim como uma cortesia do autor, que faz parte do grupo de Whatsapp do O Que ler. Confesso de cara que, pela sinopse, este nunca foi o meu tipo de leitura. Já havia tentado ler livros do gênero anteriormente e meu relacionamento sempre terminava em briga, indo cada um para um lado ? eu pro meu canto, o livro, normalmente largado na estante. Mas, na virada do ano, havia proposto pra mim que este ano seria um ano de mudanças. Tentar coisas novas, me abrir mais para algumas oportunidades, me lançar sem medo em algumas situações. Vi na proposta do amigo e escritor, uma dessas oportunidades. E não me arrependo. Muito pelo contrário, só tenho a agradecer.
A história gira em torno de Marta e sua recuperação após uma situação trágica em sua vida, que leva à perda do filho. Não mencionarei fatos, porque percebi, ao longo do livro, que as revelações acontecem quando tem que acontecer (assim como foi o ?sim? para ter e ler este livro). Augusto Luper me surpreendeu ao mostrar uma sensibilidade, um conhecimento de seu personagem e o domínio da evolução, do ?crescendo? da história. Ele irá te revelar aquilo que é pra ser dito no momento certo, para causar o impacto devido. Detalhes como idade, descrição física são apenas mero detalhes que poderiam até atrapalhar a história e gerar no leitor, um julgamento dos fatos relatados, quando o foco não são os fatos, mas sim a evolução de se reencontrar, que é o que Marta faz ao longo do livro. Se reencontrar e ao mesmo tempo, ajudar a outros a se reencontrarem ? e não é preciso muito, apenas saber ouvir e às vezes ter uma palavra de conforto. Coisas que em uma sociedade líquida (segundo o autor Zygmunt Bauman), sem elos, está ficando cada vez mais difícil