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    D. Pedro II (A história não contada) - O último imperador do Novo Mundo revelado por cartas e documentos inéditos

    Paulo Rezzutti

    Casa da Palavra
    2019
    576 páginas
    19h 12m
    ISBN-13: 9788577346776
    Português Brasileiro
    4.5
    302 avaliações
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    Em D. Pedro II - A história não contada, o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti lança mão de cartas e documentos inéditos para revelar a história não contada do último imperador do Brasil. Do príncipe que se tornou regente ainda menino ao monarca de espírito republicano que morreu no exílio, a obra preenche muitas lacunas com uma extensa pesquisa em documentos, cartas e diários para iluminar a vida um homem que esbanjava cultura e cuja intimidade era bem mais intensa do que as barbas brancas em seus retratos mais famosos podem fazer supor. Depois de desmistificar d. Pedro I e d. Leopoldina, recolocar as grandes personagens femininas de nosso passado em seu devido lugar de destaque em Mulheres do Brasil e narrar o romance que abalou o Primeiro Reinado em Titília e o Demonão, Rezzutti apresenta um d. Pedro II muito além do imperador e do mito no novo volume da série A história não contada.

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    Paulo Henrique05/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Magnânimo

    Muito bom saber que este Brasil já teve um estadista de tamanha sabedoria. Paulo Rezzutti escreveu um interessantíssimo livro sobre a história da vida de D. Pedro II. Aqui vemos como já de criança, ainda não podendo assumir o Império do exilado pai, Pedro II foi tutelado a ser um grande estudioso: “a ideia era transformar o imperador em um sábio, um estadista, um ser dedicado inteiramente ao Brasil”. E funcionou. A personalidade do menino contribuiu muito, pois ele se mostrou durante toda a vida ávido por conhecimento, ciências e inovações, as quais ele buscava implementar de alguma forma num Brasil bem atrasado. Ele “aprenderia grego, hebraico e diversas outras línguas orientais, estudaria astronomia e matemática avançada. Se faria patrono da fotografia no Brasil e de diversas instituições que visavam à cultura e à modernidade, objetivando construir uma nação mais “civilizada”, como à época se entendia ser a europeia” e se “interessava de todos os cidadãos que se destacavam com sua sede de conhecer tudo sobre o Brasil: fauna, índios, línguas, costumes, geografia e história. Não é difícil perceber que D. Pedro foi o brasileiro que mais viajou e conheceu de perto o Brasil de sua época.” Apesar de suas qualidades e interesse pelo país, a biografia fala dos momentos críticos pelo qual o Brasil passou durante os anos de seu governo. Era uma época de constante manutenção da frágil unidade nacional de um país de tamanho continental e ainda pouco povoado nas áreas mais interioranas; além disso, o país (assim como hoje) se via frequentemente em apertos financeiros, o que piorou com a guerra contra o Paraguai. Governar um território tão grande e plural foi moldando também a pessoa pública do Imperador, que se viu à frente do país já com 14 anos, tendo que lidar com um Congresso de políticos já experienciados e de fortes interesses próprios. Além de tudo, não apenas o Brasil mas o mundo passava por um momento crucial. O século XIX foi um período de enormes avanços na forma de se locomover, se comunicar, de pensar e, claro, de governar. A monarquia aqui e alhures já começava a ser vista como atrasada por alguns e era questão de tempo para ser substituída pelas Repúblicas. Pedro II sabia disso sem ser avesso a essas ideias, visto pela forma como ele dialogava tranquilamente com pessoas republicanas - atitude essa que aterrorizava e confundia os monarquistas. Fato é que D. Pedro II entendia as mudanças pelas quais o mundo passava, ele viajou muito pelo mundo e o estudou demais, sabia portanto que é impossível lutar contra a mudança das coisas, e que o diálogo de ideias era o melhor caminho. Pedro II não queria o mal do Brasil, ele não buscou guerra nem mesmo quando os militares aplicaram o golpe que derrubou seu reinado e instaurou a República. Talvez era algo que ele via como iminente, embora acreditasse que não aconteceria por um golpe mas gradualmente pelo Congresso. Enfim, opinião pessoal, creio que se juntássemos todos os (des)governantes que a República vem nos dado, talvez não teríamos metade do que foi D. Pedro II. Ele cometeu erros de governo, claro, pois ninguém é perfeito, e acima de tudo era alguém fruto de seu tempo, uma época de costumes alguns dos quais buscamos nos desvencilhar. Ainda assim, podemos dizer que ele era a frente do seu tempo em muitas outras coisas, abolicionista, interessado pelas inovações, pelo desenvolvimento, pela ciência e novos aprendizados, alguém que defendia a livre imprensa e o progresso do país e via na educação o caminho certo: “o colégio era o templo iniciático do Imperador, que via na educação um meio de civilizar o Brasil. Mas o Brasil era imenso e a corte, uma parte diminuta desse império que parecia pouco querer fazer pela educação, ao contrário do monarca.” Além disso, Pedro não usou seu cargo como meio de enriquecer financeiramente a si mesmo; o mínimo.

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    Paulo Rezzutti

    Arquiteto e Urbanista formado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo é membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Pesquisador independente e estudioso sobre a história de São Paulo, tem artigos publicados na Revista de História da Biblioteca Nacional, Revista História Viva, Revista da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais entre outras. É autor da apresentação e notas explicativas da obra Uma Festa Brasileira Celebrada em Rouen em 1550, do brasilianista Ferdinand Denis, lançado pela Usina de Idéias em 2007. Em 2011, publicou o livro Titília e o Demonão, pela Geração Editorial, onde revelou 94 cartas trocadas entre d. Pedro I e a Marquesa de Santos, que estavam desaparecidas a quase cento e cinqueta anos. E em 2012 lançará Domitila, a verdadeira história da marquesa de Santos de sua autoria.

    16 Livros
    101 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Paulo Rezzutti