Paulo Rezzutti é um historiador e escritor brasileiro conhecido por seu trabalho de pesquisa sobre o período imperial do Brasil. Autor de diversas obras sobre personagens históricos, especialmente ligados à família imperial, ele se destaca por mergulhar em documentos originais, cartas e registros pouco explorados para reconstruir episódios importantes da nossa história. Em Titília e o Demonão, Paulo utiliza justamente esse método: revisita correspondências e registros históricos para revelar um lado muito mais humano e íntimo de Dom Pedro I e de sua famosa amante, Domitila de Castro, a Marquesa de Santos.
O livro se baseia principalmente nas cartas trocadas entre Dom Pedro I e Domitila, que usavam apelidos como “Demonão” e “Titília”. A partir desses documentos, o autor reconstrói o relacionamento intenso e controverso entre os dois, ocorrido durante um momento decisivo da história brasileira: os primeiros anos após a Independência. As cartas mostram um imperador apaixonado, impulsivo e muitas vezes contraditório, além de revelar os bastidores políticos, sociais e pessoais do Império nascente.
O autor contextualiza bem os acontecimentos da época e ajuda o leitor a entender como a relação entre Dom Pedro e Domitila influenciava a corte, a política e até a imagem pública do imperador. O livro também contribui para humanizar figuras que normalmente aparecem nos livros de história de forma distante, mostrando sentimentos, conflitos e dilemas que não costumam aparecer nas narrativas tradicionais.
Por outro lado, a leitura é um pouco arrastada. Como boa parte do material vem da transcrição direta das cartas, escritas com a linguagem do século XIX, alguns trechos acabam se tornando mais densos e menos fluidos. Em determinados momentos, a sucessão de correspondências pode quebrar um pouco o ritmo narrativo.
No geral, é um livro útil para quem gosta de história do Brasil, especialmente do período imperial, e para leitores curiosos sobre os bastidores mais pessoais das figuras históricas. Apesar de alguns trechos exigirem um pouco mais de paciência, a obra vale a leitura pelo valor histórico e pela oportunidade de conhecer um lado pouco explorado da vida de Dom Pedro I e da Marquesa de Santos.