Antes da resenha um momento de "vergonha pela pessoa", um tal Gui resenhou o livro acusando o autor de politiqueiro contra um dos homens mais íntegros do país. Ora, carecemos de homens íntegros. Fazer política é algo bom e importante. Esse a quem o tal Gui defende como íntegro entrou na política pela porta dos fundos do chiqueiro, usando ataques sem fundamento levou à prisão um ex-presidente saltando leis e contrariando a verdade. Esse juizeco nada íntegro foi desmascarado numa atitude corajosa do desembargador Rogério Favreto, do TRT da quarta região. A religião criada pelo juizeco foi vencida pela arte. É isso o que propõe o ensaio. O tal juizeco agora pretende ser uma terceira via a concorrer pela presidência da república, visando fugir de crimes cometidos juntamente com procuradores que pensam estar acima de todos e amparados pela mídia (entidade criadora da besta de Curitiba, herói dos sem noção que se ajoelham diante de qualquer ídolo, mesmo corruptores que dizem combater a corrupção - exclusivamente de seus opositores políticos).
Lisias propõe um diálogo com a arte, sim o documento do desembargador Rogério Favreto se tornou uma performance contra o juizeco e sua operação errada até no nome. "Além de causar uma enorme surpresa, [Favreto] suscitou estranhamento, abalou um terreno antes bastante seguro e produziu consequências notáveis (...)
"M. contrariou quatro vezes instâncias superiores" (Folha de S. Paulo, sem destaque na capa, mas com manchete eloquente)", pág. 6
"A arte contemporânea volta-se para as construções cuja solidez é uma quimera. Estamos assistindo de camarote ao Estado de direito se dissolver no ar. " Pág. 9
"A obra de Favreto é uma criação fadada à singularidade: ela existiu durante um certo período de tempo e desde o início estava condenada a desaparecer...essa é uma das principais características da parte notável da arte contemporânea." Pág. 10
" A performance Sem título começou na manhã de um domingo. No limite, ela desapareceria no dia seguinte, às 11 horas quando acabaria o plantão de Favreto e o habeas corpus então seria reencaminhado para a estrutura de praxe, que alinharia tudo outra vez ao desejo do Juiz." Pág. 11
"...a obra foi ainda mais bem sucedida do que o artista previa de inicio [Favreto] abalou toda a rede de proteção que tornou praticamente indiscutíveis as redes de decisões do Juiz." Pág. 13
Outros livros comparam a ação do tal Juiz, ou juizeco a um ativismo judicial. O ativismo aqui é usado no bom sentido, no da arte do referido desembargador, nas atitudes de outros performers como Bo Bardi e sua arquitetura democrática, o grupo Pussy Riot desafiando Putin na copa do mundo da Rússia, o dramaturgo Zé Celso ante a caretice de um deputado capitão do mato e a sanha capitalista selvagem de um apresentador de auditório dono de emissora. O juizeco, ao contrário promove o embuste, a seita populista controlada por quem pensa estar acima da lei.
P.S. O tal Gui que fez a resenha e usa foto editada de um jovem ator espanhol (Manu Rios) reclamou que este livro não tinha sinopse. Não havia nenhum demérito nisso, afinal ensaios são pouco lidos, infelizmente, mas agradeço por ter lembrado, acabei de colocar a sinopse.