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    Descolorindo Eloáh -

    Felipe Saraiça

    Pendragon
    2019
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9786580199396
    Português Brasileiro
    3.8
    144 avaliações
    Leram173Lendo27Querem673Relendo0Abandonos17Resenhas31
    Favoritos17Desejados673Avaliaram144

    O nascimento de Eloáh foi celebrado com grande alegria por sua família. Com grandes olhos castanhos e cabelos loiros, conquistou rapidamente a alegria de todos ao redor. Na infância, serelepe e de curiosidade insaciável, logo aprendeu a ler e escrever. Mergulhou em livros e histórias. Era o orgulho de seu pai e mãe. Porém, conforme o seu crescimento, passou a notar cochichos, olhares diferentes e a relação com seus pais desandou. Tinha nove anos e não entendia o motivo daquelas reuniões ao seu respeito e nem porque um padre sempre lhe benzia e orava, usando versículos e palavras que não compreendia. Foi com doze anos que seu pai entrou em seu quarto e teve uma conversa de quase duas horas. Após sua saída, só conseguiu fechar os olhos, deixar as lágrimas caírem e tentar esquecer a palavra que ecoava em sua mente: aberração.

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    Gustavo Cabral Barberá picture
    Gustavo Cabral Barberá10/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha do livro "Descolorindo Eloáh"

    Título Original: Descolorindo Eloáh Autores: Felipe Saraiça Ano: 2019 Editora: Pendragon Páginas: 248 Em um mundo em que se possui uma sociedade rotuladora e preconceituosa, algumas pessoas sofrem com suas particularidades. Esse culto a raiva social e a exclusão humana levam muitas pessoas a desenvolverem problemas como depressão, instigando-as a realizarem procedimentos desesperadores e trágicas. E um desses momentos estará sendo abordado em “Descolorindo Eloáh”, um drama reflexivo e um pouco polêmico, se assim podemos dizer. A história conta a história de Eloáh, um garoto de dezessete anos que se descobre ser transexual, de bem com a vida, mas que sofrerá por causa da sua opção, não só na escola com alunos sem escrúpulos, mas em casa principalmente, onde não terá o apoio da família. É uma trama que se aproxima muito da realidade dos jovens atualmente, que independente do tema do livro, sentem-se isolados, excluídos e abandonados. Fatos como se cortarem, está presente na história, pois isso acontece diariamente com eles e a falta de apoio e um ombro amigo para poder conversar. Narrado em primeira pessoa pelo próprio Eloáh, a obra possui um enredo fluído e intenso, onde prende demais a curiosidade do leitor, sensibilizando-o e fazendo-o refletir da sociedade podre e preconceituosa em que há atualmente. Aqui temos vários temas polêmicos, como ganância, adultério, assédio moral e trapaça. “Mundo é injusto demais para estar nele sem amigos”. Com personagens fortes e marcantes, temos dois que merecem destaque. Um é Silas, pai de Eloah, uma pessoa asquerosa, pastor de uma igreja evangélica, onde precisa mostrar as aparências de uma família feliz e unida para as pessoas, mas entre quatro paredes é a pior pessoa que existe. E temos também Eliz, uma psicóloga trapaceira e charlatã, atuando com seu diploma cassado e torturando Eloáh, pois ela via sua condição como uma doença a ser curada. Outro tema a ser destacado na obra é o fato do dinheiro falar mais alto, fato que acontece nos dias de hoje. Silas precisava mostrar o exemplo para poder arrecadar dinheiro dos fiéis e a diretora da escola particular que Eloáh estuda, fazia vista grossa do alguns alunos aprontavam com ele pelo fato de serem filhos de pessoas importantes e muito ricas, onde sempre estavam fazendo doações em dinheiro que eram desviadas. Essa personagem (diretora) também é um exemplo explícito de corrupção e falta de ética. “Deitado, olho para o meu teto branco como se ali pudesse encontrar uma saída, um portal, ou qualquer coisa que fosse capaz de me tirar desse fundo do poço ao qual apelidei de vida”. O livro é muito agradável de se ler, possui capítulos curtos, sua diagramação é muito bonita e digo que não é um livro com uma história LGBT, mas sim um drama que aborda preconceito, discriminação e a falta de apoio para jovens que precisam. Problemas familiares corriqueiros também ocorrem na obra e o mais bonito que essa história nos mostra é que verdadeira amizade ainda existe. Aqui temos como exemplo, Eloáh, seu colega de sala Samuel e seu vizinho, o idoso Luís, onde um podia contar sempre com o outro. Portanto, quem gosta de uma história que toca profundamente a alma, não deixem de ler “Descolorindo Eloáh”, que irá despertar todos os sentimentos que um ser humano possui, alegria, tristeza, ira, compaixão e outros elementos cartásticos. É uma leitura que as pessoas precisariam fazer para refletirem sobre a sociedade sem escrúpulos que estamos presenciando atualmente. Recomendo para todos.

    28 curtidas

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    3.8 / 144
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas5%
    Felipe Saraiça profile picture

    Felipe Saraiça

    Felipe Saraiça é carioca e venceu os prêmios Perolas da literatura e Brasil entre palavras. Como roteirista, conquistou o Festival de Cinema de Caruaru e a seleção oficial do Festival de Cinema de Carpina com a adaptação de Palavras de rua, o seu primeiro livro. Escreveu também Para onde vão os suicidas, Descolorindo Eloáh, O amor é um plágio e O monstro que roubava sorrisos. Gosta de migrar entre gêneros e assuntos, fazendo da literatura a sua maneira de dar visibilidade a assuntos e pessoas que muitas vezes são tratadas como invisíveis.

    7 Livros
    18 Seguidores
    Rio de Janeiro , Brasil

    Felipe Saraiça