A Culpa é do Cérebro? – Pesquisas sugerem que mais e mais comportamentos são causados pela função ou disfunção cerebral. Mas é sempre legítimo culpar o cérebro pelo mau comportamento? Como posso saber se o “meu cérebro me faz fazer isso”? Enxergando problemas cerebrais por meio das lentes das Escrituras, Edward T. Welch faz distinção entre os distúrbios cerebrais genuínos e os problemas enraizados no coração. Entender essa distinção permitirá que pastores, conselheiros, famílias e amigos ajudem os outros – ou a si mesmos – a lidar com as suas lutas e responsabilidades pessoais. Enquanto se concentra em alguns distúrbios comuns, Dr. Welch apresenta um conjunto de medidas práticas adaptáveis a uma série de condições, hábitos ou vícios.
A Culpa é do Cérebro -
Edward T. Welch
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Ver maisA culpa é do cérebro?
É tudo culpa da química cerebral? É tudo uma questão de descobrirmos a pílula ou a alteração química correta e todos os nossos problemas de comportamento estarão resolvidos? Quem está no comando? A Bíblia é o crivo pelo qual avaliamos as ciências cerebrais? Ou a Bíblia é relevante apenas para “questões de alma” e a ciência para as questões da química cerebral? Dividimos a relação corpo e mente a este ponto, semelhantemente ao erro de dividirmos a vida num compartimento secular e noutro sagrado? Quantas perguntas precisam ser respondidas com seriedade, carinho e amor, mas, antes de tudo, quaisquer perguntas precisam encontrar suas respostas na Bíblia. Ou não? Há áreas que a Bíblia não cobriria? Mas não pregamos aos quatro cantos do mundo que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática? Fé em Deus, na Sua salvação e no Seu cuidado sobre todas as áreas da nossa vida? Tanto a área do nosso coração como a área do nosso corpo físico? E se a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, não estamos afirmando que ela é que orienta todos os nossos comportamentos, nossa prática de vida diária? Afinal, a Bíblia é para assuntos “espirituais” e o psicólogo para assuntos da “mente”, da “psiquê”, da “alma”? Quanto mais aprofundamos mais vemos a confusão em que a Igreja se meteu, quando delegou “parte” do ser humano à “ciência”, ficando apenas com “batismo, casamento e velório”! Há uma teoria que prega que somos tricotômicos — alma, espírito e corpo — e isso apenas piora ainda mais o enredo, pois fatiamos o ser humano e departamentalizamos essas partes para o médico, o psicólogo e o pastor, cada qual receitando seus remédios para a parte que trata. Entretanto, nada disso é bíblico! A antropologia bíblica fala de um ser humano de duas partes — material e imaterial. A confusão “alma e espírito” fica por conta de uma exegese rasa que não leva em conta que há muitos sinônimos tratando de uma mesma realidade nas Sagradas Escrituras: coração, espírito, alma etc. O ser humano possui um corpo material, que é a expressão física de seu coração! Se o coração adoece, o corpo adoece. Se o corpo padece, evidentemente que o coração recebe as influências desse corpo aberto ao mundo que o cerca. Não podemos complicar o que a Bíblia ensina como algo simples nessa relação. Para mim, contudo, o maior problema é negligenciarmos que as demais ciências, embora sejam muito boas para descrever a situação que aflige o homem, tratam essa situação superficialmente, pois ciência alguma apresentará o remédio correto para o coração do homem, uma vez que ela está assentada em humanismos e antropocêntrismos, que descartaram a interpretação de Deus sobre a nossa história humana. As ciências possuem uma epistemologia que abstrai Deus da realidade do ser humano não levando em consideração os dados bíblicos da Queda e da natureza totalmente depravada do homem. Infelizmente, nessa relação Bíblia e psicologia (ou psiquiatria etc), vemos uma falta de diálogo compreensivo, que nos deixa surpreendidos. Há muito espantalho apanhando, enquanto o que realmente está à mesa para discussão fica de lado. Para contribuir na discussão, colocarei abaixo minha resposta dada a alguém que me fez as seguintes perguntas: “Você crê mesmo que, mesmo Deus dando inteligência para termos técnicas na psicologia e ações terapêuticas na psiquiatria, o crente não pode usar (a ciência), como dizem os defensores desse Aconselhamento? Não podemos ser integracionistas?”. A pessoa que me fez essas indagações ainda completou dizendo-me: “Disseminar fundamentalismo é complicado”. Ao que eu respondi: Eu creio no poder da Palavra de Deus. Psicologia e afins são assentados em filosofias humanistas, que, por isso mesmo, são muito bons para descrever o mal, mas não para transformar, nem regenerar e, muito menos, santificar os corações. Só a Palavra vai verdadeiramente à situação do coração do homem. Antropologia bíblica é tudo! Se não se sabe a extensão da total depravação do homem e nem o poder regenerador e santificador da cruz, então, no máximo, vc vai criar dependentes eternos de consultórios humanistas e de uma indústria farmacêutica que é a maior lucradora com tudo isso. Integracionismo é acreditar que o ser humano carnal entende das coisas espirituais, quando, a Bíblia é clara em dizer que só os espirituais podem julgar todas as coisas (I Cor 2.12–16). Não há critérios bíblicos para o integracionismo, por isso mesmo, nós, Reformados, é que temos que ir ao mundo e julgá-lo. Do contrário, integracionismo vira sincretismo. E aí, já viu, não é? Na verdade, portanto, além de uma questão de antropologia bíblica, há também um problema de epistemologia. A epistemologia reformada precisa mostrar ao mundo a interpretação de Deus sobre todas as coisas. E não o contrário. E por aí vai. Por todo esse antigo paradigma e também a insistência em se discutir espantalhos, tanto de um lado quanto de outro, é que a leitura de um livro como este é maravilhoso! Além de deixar essas discussões mais precisas, Edward T. Welch também ampliou essa percepção do que poderia estar relacionado ao corpo e à mente. Apesar de sermos corpo e mente e existirem questões claras que competem a um e ao outro, esse dualismo não pode ser visto sob uma ótica pagã. A proposta cristã é o que ele chama de dualismo mínimo. É certo que não podemos chamar de pecado o que são apenas fraquezas de um corpo que nos limita naturalmente. A fraqueza de nossa memória é parte de uma realidade cognitiva do corpo, mas não um aspecto moral do coração! Compreender isso é importantíssimo! Quatro princípios compartilhados por Welch e que regem a relação mente-corpo: 1º) o cérebro não pode fazer uma pessoa pecar ou manter uma pessoa seguindo a Jesus em fé e obediência; 2º) toda capacidade de uma pessoa — forças e fraquezas cerebrais — são a única coisa que é digna de cuidadoso estudo; 3º) problemas cerebrais podem expor problemas do coração; 4º) corações pecaminosos podem levar à doenças físicas, e corações justos podem levar à saúde.
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