Eu adoro ficção científica, mas sinto que rolo os dados e tento a sorte toda a vez que pego um livro de Robert Heinlein.
O pai da cientologia não é exatamente um expoente do gênero, eu diria que ele é mais como aquele autor bizarro que consegue a proeza de escrever livros interessantes e horríveis ao mesmo tempo.
The Puppet Masters é a história de uma invasão alienígena na Terra por meio de parasitas que se parecem com grandes lesmas. Inclua aí conspiração mundial, viagens espaciais, questões sociais e várias mortes e, pronto, temos a marca registrada do autor.
Os personagens são bem carismáticos se um tanto clichê. Eu particularmente gosto da figura do Old Man que faz aquele típico homem rabugento que só não resolve tudo sozinho porque não tem mais idade. Infelizmente, também temos Mary - mais uma das infames personagens femininas de Heinlein: todas são lindas, emancipadas e sexualmente mais ativas do que qualquer mulher fisicamente jamais conseguiria ser.
Há também uma quantidade abundante de referências a Rússia como algo similar ao condicionamento mental exercidos pelos parasitas. Não é de se estranhar já que o livro foi escrito em tempos de Guerra Fria.
O que deixa a leitura com um gosto pesado é a óbvia ignorância do autor em razão da representação sexual (vale lembrar que a primeira edição do livro data da década de 50).
De fato, toda a trama e sua resolução só são possíveis absolutamente ignorando-se a homossexualidade, etc. Junte a isso o ranço misógino e o estilo de escrita medíocre e vemos porque Heinlein é sumariamente ignorado em muitas listas e coleções.