Que bem poderia advir de um senhorio que nasce do crime?
Italo Calvino, através de O Visconde Partido ao Meio — que nada mais é do que uma fábula —, estava tentando nos fazer refletir sobre o perigo dos dois extremos que chamamos de Bem e Mal. Ambos, de maneiras desenfreadas, podem ocasionar desgraças. Esse tipo de reflexão entre bondade e maldade, que não é nova na literatura, é encontrada em O Médico e o Monstro, uma obra que eu ainda não li e que foi inspiração para o Italo, afinal de contas, a humanidade sempre procurou encontrar lógica e respostas na dualidade da natureza do homem. Me recordo de não ter gostado na primeira vez que o li há muito tempo, mas é um livro curtinho, divertido e cheio de críticas nas entrelinhas. Vale a leitura! Dessa vez, a todo momento, lembrava do que o Sirius Black disse ao Harry: “O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos”. “Assim, meu tio Medardo voltou a ser um homem inteiro, nem mau nem bom, uma mistura de maldade e bondade, isto é, aparentemente igual ao que era antes de se partir ao meio. Mas tinha a experiência de uma e de outra metade refundidas, por isso devia ser bem sábio”. Às vezes a gente se imagina incompleto e é apenas jovem”.





