Quem Foi Machado de Assis? Não o escritor, mas a pessoa?
E como um menino pobre se tornou o maior escritor de todos os tempos? Hoje vamos ver o livro Para Conhecer Machado de Assis, da Jorge Zahar
Machado nasceu em 1839 no RJ e justamente nessa época (1840), d. Pedro II era proclamado imperador do Brasil, com apenas 14 anos!
Nasceu no Morro do Livramento. Sua mãe era costureira, tinha vindo dos açores, que são ilhas portuguesas no meio do Atlântico. Seu pai era um ex-escravo, que agora trabalhava como pintor. Os dois sabiam ler e escrever, o que não era comum na época – por isso Machado de Assis também aprendeu. Ele gostava de estudar muito. E as coisas que não ensinavam, ele aprendia sozinho – por exemplo, Francês. Mas sua mãe morreu muito cedo. E quando seu pai casou pela 2 vez, ele tinha 15 anos e resolveu trabalhar para sair de casa. Começou como coroinha de igreja.
Ele adorava ir até o corte, a centro do Rio, ver o palácio imperial, que era a sede do governo. Também frequentava o Real Gabinete Português de Leitura, para pegar livros. E na época a rua do Ouvidor era a mais movimentada do Rio, com muitas lojas, ele também frequentava. Havia a loja do Paula Brito, que também era uma tipografia, sabe o que é isso? Era como os livros eram feitos antigamente. Era um ponto de encontro de artistas e políticos. E de tanto ir lá xeretar, ele começou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo. Por isso ele conseguiu publicar seus primeiros poemas com 15 anos em um jornal, mas isso era comum na época.
E já morando sozinho, conheceu o escritor Manoel Antonio de Almeida, e conseguiu um cargo de revisor em um jornal. Isso abriu portas para escrever em pequenos jornais, principalmente crítica de teatro. O Teatro foi sua primeira grande paixão. Mas quando escreveu duas peças, ele levou um balde de água fria: seu amigo, Quintino Bocaiúva disse que elas não eram boas, que não emocionavam. Isso mostra para nós que um gênio não nasce pronto! Mas ele continuou frequentando saraus, reuniões em que as pessoas cantam, declamam poemas etc.
Aos 20 anos, ele se apaixonou, mas não foi correspondido. Então, de vingança, ele traduziu o livro Queda que as Mulheres têm pelo tolos. Aos 25 ele se apaixonou por Corina, e foi correspondido. Ele escreveu versos para ela, versos que foram publicados em Crisálidas. Mas um dia essa relação acabou, sem que ele mesmo entendesse por quê.
Nessa época, ocorria a Guerra do Paraguai, quando Solano Lopez, o presidente do Paraguai tentava invadir os outros países em volta, Brasil, Argentina e Uruguai. E MA defendeu muito o Brasil nos seus textos, acreditava muito na vitória do Brasil. E a vitória aconteceu, mas com muitas mortes de brasileiros.
Seu primeiro livro, Crisálidas, de poesia, foi bem recebido. Mas MA estava procurando um emprego público, e na época isso dependia de indicação. Depois de muito tentar, conseguiu ser ajudante do diretor do Diário Oficial. E depois de trabalhar, ele ia à loja de Paula Machado, para conversar com escritores, artistas. Apesar de ser meio quieto tinha muitos amigos!
Até que ele conheceu a irmã de um amiga, Carolina de Novais. Ela não era tão bonita, e era mais velha que ele, mas ele se apaixonou. E por quê? Porque eles combinaram, e ela gostava de poesia e literatura. E eles se casaram!
Mas na época, MA não fazia tanto sucesso... Quem fazia era Castro Alves, com o livro Espumas Flutuantes.
Sabe do que MA gostava? De enigmas, e de xadrez. Na época, a revista Ilustração Brasileira publicava desafios, enigmas, e MA ficava acordado até resolver.
Em 1876, ele foi promovido a chefe de seção no Ministério da Agricultura, e pela primeira vez passou a ganhar mais. Mas nessa época também começou a ter um problema de saúde: epilepsia. E teve um problema nos olhos, não podia mais ler e escrever! Olha que ironia. Mas ele fez do limão uma limonada. Como ele não podia escrever, ele ditava o texto para sua mulher, Carolina. Dessa forma, o estilo dele ficou mais direito e mais limpo, e ele gostou da experiência. E depois de ter escrito várias obras românticas, ele escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro romance do REALISMO no Brasil. Era um livro com muitas inovações, até porque o narrador é um defunto, e muito crítico da sociedade, como é o estilo realista. MA, que já era conhecido, foi aclamado com um grande escritor. Ele também escrevia contos muito bons, publicou vários volumes.
MA continuava tímido. Vamos lembrar que ele também era gago! Mas quando estava à vontade, ele conversava muito e contava piadas. Mas nunca falava da vida alheia. E tinha um orgulho: de não ter nenhum inimigo, até o fim da sua vida.
E com tudo isso, ele conseguiu melhorar bem de vida — foi morar numa bela casa em Cosme Velho com Carolina. Mas não tiveram filhos.
Um fato muito importante para Machado foi a abolição da escravatura em 1888 (ele tinha 49 anos). A Princesa Isabel ia sancionar essa lei no Paço Imperial, publicamente, à vista de todos. Havia uma multidão. Quando ela assinou a multidão gritou, aplaudiu, soltou pássaros, fez uma grande festa — muita gente esperava por isso há muito tempo. E M A participou de todos os eventos que aconteceram.
Mas, em 1889, ocorreu a proclamação da República, e D Pedro foi mandado embora do Brasil! MA não esperava por isso naquele momento! Inclusive gostava muito de D. Pedro.
Mais um livro seu foi lançado e fez muito sucesso: Quincas Borba. E como no livro há a frase: Ao Vencedor as Batatas, todo mundo começou a dizer essa frase a torto e direito.
M A escrevia muito lentamente. Tanto que só em 1900 saiu Dom Casmurro, foi um sucesso imediato, quando ele tinha 61 anos. Todo mundo comentava. Na época se falava da possível criação da Academia Brasileira de Letras. MA não queria ser o cabeça do movimento, mas no fundo ele estava bem animado. Em 1897 eles fundaram a ABL, que tinha como objetivo defender a Língua Portuguesa. Mas no início, ela não tinha uma sede; só veio a ter uma sede muito tempo depois.
Em 1904 sua mulher Carolina morreu. Ele ficou muito mal. Os amigos o procuravam, ele não queria sair de casa. E disse: “foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo”.
Mas ele era um escritor! E não conseguia parar de escrever. Então escreveu ainda Memorial de Aires. Mas 1908 ele caiu doente. Todos os amigos iam visitá-lo. Mas ele não queria a visita de um padre, porque seria hipocrisia - na verdade ele não acreditava em Deus. E ele morreu, e recebeu muitas, muitas homenagens. Morria o maior escritor do Brasil.