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    Os relógios (Coleção Folha O Melhor de Agatha Christie #14) -

    Agatha Christie

    Folha de S. Paulo
    2019
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788579493751
    Português Brasileiro
    3.7
    3707 avaliações
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    Um corpo esfaqueado é encontrado no chão da sala de uma casa onde vive uma senhora cega. O álibi basta para a Rainha do Crime nos enredar em uma teia de ilusões e trapaças. Monsieur Poirot atua nas sombras quase até o fim, quando entra em cena armado com seu tino para detectar incoerências e decifrar a lógica do crime. A intriga mistura um morto sem identidade, um punhado de falsos testemunhos e até toques de espionagem, pois o clima em 1963, ano da publicação, era de Guerra Fria. Além do mistério e das reviravoltas na investigação, “Os relógios” traz uma das mais fascinantes galerias de tipos da obra de Agatha Christie. Sob as fachadas de suas casas comuns, cada morador de Wilbraham Crescent guarda algum segredo ou se isola em alguma mania. O crime, desta vez, é somente um disfarce que a autora adota para praticar seu talento de retratista da humanidade. Cássio Starling Carlos Crítico da Folha

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva19/02/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Cuco!

    Esse foi um dos primeiros livros de Agatha Christie que li, ainda aos 11 anos de idade. Sei disso porque, coisa curiosa, tenho a lembrança da casa onde eu morava ao ler o livro, e da qual me mudei antes de completar 12 anos. Contudo a respeito da história em si eu não guardava a menor recordação, além de um inexplicável papagaio que ficava berrando na cena do crime. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir agora, ao finalmente reler “Os Relógios”, que o tal papagaio era na verdade o cuco... de um relógio! Coisa estranha é a memória da gente... Nessa segunda leitura, achei a trama razoavelmente divertida, embora esteja bem distante dos maiores êxitos da autora. Talvez para acrescentar algum tempero ao enredo um pouco insosso, Agatha inseriu alguns elementos de espionagem em sua história de assassinato. Eu, que amo tanto os romances policiais de Agatha Christie ao ponto de ter lido a maioria duas ou três vezes, confesso que não gosto nem um pouco de suas histórias de espionagem, que considero por demais ingênuas e inverossímeis. Sempre me intrigou muito o fato de uma mente tão ardilosa e maquiavélica para conceber mistérios de assassinato chegar a ser simplória ao elaborar suas tramas de espionagem. Por sorte, em “Os Relógios” a espionagem é apenas coadjuvante. Achei especialmente interessante encontrarmos aqui um Poirot já bem velhinho e quase inválido, empenhado na leitura dos principais autores de histórias policiais. Isso rendeu um inesperado comentário de Poirot a respeito de Sherlock Holmes e de seu criador, Arthur Conan Doyle: “– As aventuras de Sherlock Holmes – murmurou, com afeto. E então pronunciou só uma palavra, com reverência: – Maître! – Sherlock Holmes? – perguntei. – Ah, non, non, nada de Sherlock Holmes! É o autor, Sir Arthur Conan Doyle, a quem eu reverencio. As histórias de Sherlock Holmes são, na verdade, espichadas, cheias de tolices e muito artificiais. Mas a arte de escrever, ah, isso é outra coisa. O prazer da língua e, acima de tudo, a criação desse tipo formidável, que é o Dr. Watson. Ah, isso sim é que é triunfo.” Pincei ainda essas duas tiradas, que achei bem legais: “Não há nada mais insípido do que a pornografia explícita.” “As pessoas rígidas sempre cedem ante a lisonja.” E viva Agatha Christie! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/02/os-relogios-agatha-christie.html

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