O Homem que Corrompeu Hadleyburg -

    Mark Twain

    Dandelion
    2019
    61 páginas
    2h 2m
    ISBN-10: B01KGL4134
    Português Brasileiro

    Conhecida como "A Cidade Incorruptível", Hadleyburg gozava o prestígio de ser lar dos cidadãos mais honestos do país. Até que, em uma noite, um estranho deixa um saco abarrotado de ouro à porta de uma casa junto a uma misteriosa carta de agradecimento a um morador da cidade que ele não soube nomear. Segunda a carta, resta-lhe apenas a memória de uma frase trocada na ocasião em que o gentil cidadão ajudara o autor – e ele conta com a honestidade dos habitantes de Hadleyburg para identificar seu benfeitor e confiar-lhe o tesouro. Um saco de ouro à procura do seu dono anônimo – até que ponto os cidadãos de Hadleyburg serão incorruptíveis diante de uma prova tão grande de sua famosa honestidade? * * * Carregada de humor e acidez, a novela de Mark Twain "O Homem que Corrompeu Hadleyburg" consiste em um experimento social sobre a hipocrisia. Como crítica veemente aos costumes da sociedade norte-americana do seu tempo, tem a propriedade de permanecer atual e universal como os bons clássicos da literatura. (less)

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    Régis Maz31/12/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Existem pessoas incorruptíveis e moralmente virtuosas nos dias de hoje?

    O Homem que Corrompeu Hadleyburg de 1899 é uma sátira brilhante sobre a hipocrisia, a moralidade superficial, a corrupção e a ganância humana. Mark Twain entrega um conto com uma narrativa cheia de humor mordaz ao tentar desconstruir a ideia de virtude absoluta. Esta história me fez refletir sobre o que significa ser verdadeiramente honesto em um mundo onde as aparências frequentemente pesam mais do que os princípios. Essa é a pergunta que ele tenta responder na trama que se desenrola na cidade fictícia de Hadleyburg, que se orgulha de sua reputação imaculada e de seus habitantes incorruptíveis. Twain conduz a narrativa com um humor mordaz, desnudando as falhas humanas de forma tão incisiva quanto irônica. Através de situações absurdas, ele escancara a hipocrisia dos personagens, tornando sua crítica à moralidade superficial ainda mais contundente. Durante a leitura, foi impossível não comparar os personagens do conto com nossa sociedade, que, assim como Hadleyburg, tenta parecer mais ética e moral do que realmente é. Tanto na ficção como na vida real, são poucos os que, ao se autoproclamarem virtuosos, conseguem resistir aos desafios éticos mais básicos. Muitos acabam protagonizando verdadeiros espetáculos de ganância, falsidades e traições, revelando a fragilidade da suposta moralidade. Assistimos a episódios como esses todos os dias em nosso cotidiano, e, com a chegada da Internet, espetáculos que revelam o quão pouco virtuosa nossa sociedade é tornaram-se ainda mais comuns. Eles até ganharam um tom de normalidade, sendo vistos com certa ironia ou como entretenimento, o que me faz questionar: ainda existem pessoas incorruptíveis e moralmente virtuosas nos dias de hoje? Ou será que nunca existiram de fato? Sendo assim, em minha opinião, Hadleyburg pode ser vista não apenas como uma cidade fictícia, mas como um espelho de nossa sociedade e de nós mesmos.

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