Parte I:
Independentemente das alegações da atual globalização, é impossível existir universalidade no mundo social sem igualdade substantiva. Evidentemente, portanto, o sistema do capital, em todas as suas formas concebíveis ou historicamente conhecidas, é totalmente incompatível com suas próprias projeções ainda que distorcidas e estropiadas de universalidade globalizante. E é enormemente mais incompatível com a única realização significativa da universalidade viável, capaz de harmonizar o desenvolvimento universal das forças produtivas com o desenvolvimento abrangente das capacidades e potencialidades dos indivíduos sociais livremente associados, baseados em suas aspirações conscientemente perseguidas.
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Parte II:
O capital é absolutamente incapaz de fazer considerações humanas.
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Enquanto isso, continua a intensificação das contradições e dos antagonismos associados a causas irremovíveis. Sob o comando do capital, estruturalmente incapaz de dar solução às suas contradições e daí a maneira como ele adia o momento da verdade até que as pressões econômicas resultem em algum tipo de explosão , existe uma tendência à representação equivocada do tempo histórico, tanto em direção ao passado quanto ao futuro, no interesse da eternização do presente. A leitura tendenciosa do passado resulta do imperativo ideológico de representar erroneamente o presente como a moldura estrutural necessária de toda mudança possível. Pois é precisamente em razão da necessidade de se projetar o presente estabelecido no futuro indefinido que o passado deve também ser imaginado na forma de um dejà vu como o domínio da presença eterna do sistema sob roupagens diferentes, de modo a remover as determinações históricas reais e as limitações temporais do presente.
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Parte III:
José Martí estava absolutamente certo quando destacou o real significado de patriotismo, ao insistir que patria es humanidad, a humanidade é nossa pátria. Pois esse tipo de pátria caracterizada pela identificação consciente dos indivíduos com os valores positivos de sua comunidade é a única ordem social permanentemente sustentável que não pode ser dilacerada por antagonismos devastadores. Como tal, ela não é um ideal remoto, mas o alvo, bússola e medida necessários ao êxito da estratégia socialista de transformação, que visa a instituição do modo alternativo de controle sociorreprodutivo em que não pode haver lugar para discriminação nacional e as queixas concomitantes. Essa é a única ordem internacional viável, na mais profunda acepção do termo, em contraste com todas as tentativas de impor uma ordem internacional a partir de fora e de cima: fracassadas no passado e destinadas a fracassar no futuro. O que a faz viável e sustentável é que a pátria de Martí, definida em direta ligação com a humanidade, emerge das determinações interiores positivas de suas partes constitutivas que harmonizam as inúmeras manifestações particulares de patriotismo genuíno com as suas condições globais de realização contínua. Essas duas dimensões são inseparáveis na estratégia socialista, como seu alvo geral necessário e sua bússola orientadora. Não pode haver intercâmbio global/internacional sustentável essa, também, é uma necessidade absoluta de nosso tempo sem a união positiva das grandes variedades de identificação patriótica das pessoas com as condições de vida efetivas de sua comunidade. E vice-versa. Não pode haver patriotismo digno desse nome sem instituir e fortalecer com êxito a pátria global/internacional da humanidade, capaz de adaptação recíproca e harmonização cooperativa, a única que pode conferir as necessárias características definidoras positivas do próprio patriotismo. Nesse sentido, a complementaridade dialética do nacional e do internacional permanece um princípio orientador vital dos intercâmbios humanos no futuro próximo.
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Parte IV:
É compreensível que o distinto escritor e crítico norte-americano Gore Vidal tenha descrito a política dos Estados Unidos, com amarga ironia, como um sistema de partido único com duas direitas.
Infelizmente, os Estados Unidos não são o único país que deve ser caracterizado nesses termos. Há muitos outros em que as funções de decisão política também são monopolizadas por disposições institucionais consensuais autolegitimadoras similares, com uma diferença desprezível entre si (se é que há alguma), não obstante a mudança ocasional do pessoal que ocupa os altos escalões.
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