São Bernardo -

    Graciliano Ramos

    Editora Record
    2001
    219 páginas
    7h 18m
    ISBN-10: 8501009059
    Português Brasileiro

    Os que partem do Nordeste fustigado pela seca forneceram a Graciliano Ramos o material para sua obra mais populas: Vidas Secas. Os que ficam lhe permitiram construir o romance que o projetou como um dos maiores escritores brasileiros: São Bernardo. Como a paisagem árida e impiedosa do sertão nordestino, a narrativa de Graciliano Ramos se vale apenas do essencial. Para ele, o mundo não libera encantos, as paisagens são apenas pontos de referência entre os quais os personagens se movem. Esta linguagem crua e despojada está presente em São Bernardo, romance que tem a força de uma tragédia rural brasileira. Adaptado para o cinema pelo diretor Leon Hirzsman, ele conta a história de Paulo Honório, um homem simples que, movido por uma ambição sem limites, acaba por se transformar num grande fazendeiro do sertão alagoano, e casa-se com Madalena para conseguir um herdeiro. Incapaz de entender a ótica humanitária pela qual a mulher vê o mundo, ele tenta anulá-la com seu autoritarismo. Com este personagem, Graciliano traça o perfil da vida e do caráter de um homem rude e egoísta, do jogo de poder, e do vazio que acompanha sua perigosa escalada, onde não há espaço nem para a amizade, nem para o amor. São Bernardo segue, dessa forma, como o mais contundente romance sobre a solidão escrito em nossa língua.

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    Carla Silva28/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Seco. Contido. Poderoso.

    Tivesse eu ainda entusiasmo, faria um vídeo disto. Não tendo mais, vai esta resenha que como sempre ficará aquém do livro. Li São Bernardo na juventude; Embora reconhecendo mérito ao autor, vi frieza e distância na forma de narrar. Passaram-se anos. Fiz as pazes com Graciliano através de "Angústia", que continua meu favorito. Porém reler depois de mais de vinte anos "São Bernardo" foi uma surpresa. Primeiro: no dia que comecei, havia tentado começar outros livros: tudo soando pretensioso, fraco; eu mal passava das páginas iniciais. Aí peguei São Bernardo e veio a primeira alegria: antes da página 20, estava fisgada. Escrita seca, ágil, sem firulas e sem adornos, sem pretensão alguma - e poderosa. O que os outros autores - 3 ao todo - não tinham conseguido, Graciliano fez sem demora: me conquistou, me ganhou cativa para a sua história. Que é uma grande história. De um 'made self man' brasileiro, Paulo Honório, que resolve contar sua vida. Há de tudo: violência, paixão, ciúme, ódio, revolta, ambição, desencanto, corrupção, reflexão sobre si e a vida, até sobre o ato de escrever. Acho que Lúcia Miguel Pereira tinha certa razão em ver um defeito no romance no fato de ser tão bem escrito - sendo o 'autor' um protagonista pouco instruído que se assume como autor do que lemos. Ao mesmo tempo, a força do livro é tal que passamos por cima desse defeito. É grande. É forte. Poderoso, como disse. Mergulhamos com Paulo Honório em tudo que nos conta, ao seu lado mesmo quando em desacordo com ele (e há muito com que discordar, aliás). Não dei 5 estrelas por duas coisinhas que me incomodaram, e aqui, um aviso - darei spolier para explicar (não leia se não quiser saber detalhes do enredo): - O suicídio de Madalena. Sendo ela uma pessoa boa, generosa, compassiva, só pode estar se matando porque o marido a maltrata grandemente. Aí, ela se suicida, mas - se era ela tão boa pessoa, não pensou no filhinho bebê que abandonava ao marido violento? Não teve escrúpulo de deixar nas mãos de Honório a criança indefesa? - A referência feita por Paulo à carta deixada pela esposa destinada a ele. Graciliano não achou necessário citar sequer um trecho dessa carta, que seria tão importante para entendermos o ato último de Madalena, nós, leitores, mesmo que o marido não entendesse - Paulo só diz que a carta traz umas palavras difíceis que ele não entende. Seria este o propósito de Graciliano, deixar que nós imaginássemos a dita carta? Não sei. Pode ser, mas deu-me certa frustração. Fim do spoiler - Nada disso muda o fato de estar-se diante de um grande romance, decerto um dos nossos maiores. "Angústia" continua meu favorito. Mas, agora, "São Bernardo" não me fala de um escritor frio, mas sim artista, contido e seco e sutil naquilo que não diz, só insinua ou nos deixa especular. Grande.

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    3.9 / 11274
    • 5 estrelas31%
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    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas7%
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