O som dos tambores Em seu livro autobiográfico, Branca, Negra... Negra, Negra, Shirlene Marques, nos conta sua história, ao mesmo tempo em que retrata o quinhão de tantas outras mulheres negras e homens negros neste País. Com uma audaz simplicidade, a autora descreve o processo que a fez renascer e identificar-se com a essência íntima do seu próprio ser. Ser este, que foi obscurecido e camuflado pelas amarras da padronização, do preconceito velado, por uma mídia opressora e uma dívida social histórica que ainda não foi paga. Se reconhecer Negra neste País é libertar-se de toda concepção preconceituosa, eurocêntrica, que tão desumanamente afeta nossas crianças e está atrelada a todas as vertentes raciais, culturais e religiosas de origem Africana. É possível que o leitor se identifique e perceba que a história contada por Shirlene está sendo vivida pela criança que recebe o estigma de que cabelo crespo é ruim e tem que alisar, pela mulher que ocupa o cargo mais alto da empresa, mas é constantemente confundida com a garçonete, pela professora negra de cabelo entrançado, que tem que tirar as tranças senão perde o emprego, tantas e tantas situações que fortalecem a ideia de que ser negro está associado à inferioridade. A autora nos faz refletir e lembrar as vezes em que fomos oprimidos e as vezes em que fomos opressores, do outro ou de nós mesmos. Foi quando escutou soar o toque grave do tambor ancestral que se conecta diretamente com o pulsar da alma e foi ao compreender qual a sua verdadeira origem que a autora, aos 37 anos de idade renasceu, libertou-se e nos presenteia com cada parte deste caminho. E hoje, empoderada, pode dizer: EU NEGRA, SIM! Drika Duarte, poeta
Branca Negra Negra Negra -
Shirlene Marques
CA
2016
69 páginas
2h 18m
ISBN-13: 9788594980083
Português Brasileiro
Edições (1)
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