Anne B., sobre a delicadeza da forma -

    Beatriz Aquino

    Editora Penalux
    2019
    94 páginas
    3h 8m
    ISBN-13: 9788558335683
    Português Brasileiro

    Sinopse: A dimensão poética da linguagem deste terceiro livro da escritora Beatriz Aquino, não é propriamente a que decorre dos recursos de estilo utilizados. Resulta de um descortinar paulatino de realidades situadas no limiar do subjetivo e do projetado individualmente a partir do convívio com o outro. O lugar onde as vivências encontram seu abrigo, seu refúgio e aí também moldam a personalidade ou a desestruturam. A narrativa instala-se a partir de um verdadeiro fluxo de consciência em que o monólogo interior do protagonista Francisco é transcrito num fluxo que intercepta presente e passado, quebrando os limites espaço-temporais. O que, a princípio, poderia se configurar em um diálogo travado entre o casal Francisco e Anne B. acaba por estabelecer uma situação que oculta, em verdade, o desespero dele oriundo do sentimento de um drama também coletivo. [por: Krishnamurti Góes dos Anjos]

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    Krishnamurti Góes dos Anjos06/10/2019Resenhou um livro
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    Anne B - Sobre a delicadeza da forma - TEXTO MEU PUBLICADO NAS ORELHAS DA OBRA

    TEXTO PUBLICADO NAS ORELHAS DA OBRA A dimensão poética da linguagem deste terceiro livro da escritora Beatriz Aquino, não é propriamente a que decorre dos recursos de estilo utilizados. Resulta de um descortinar paulatino de realidades situadas no limiar do subjetivo e do projetado individualmente a partir do convívio com o outro. O lugar onde as vivências encontram seu abrigo, seu refúgio e aí também moldam a personalidade ou a desestruturam. A narrativa instala-se a partir de um verdadeiro fluxo de consciência em que o monólogo interior do protagonista Francisco é transcrito num fluxo que intercepta presente e passado, quebrando os limites espaço-temporais. O que, a princípio, poderia se configurar em um diálogo travado entre o casal Francisco e Anne B acaba por estabelecer uma situação que oculta, em verdade, o desespero dele oriundo do sentimento de um drama também coletivo. Drama de todos, de tudo; desse limbo de vidas mesquinhas no qual a sociedade vai se transformando, e deriva com força para os círculos mais ásperos dos motivos íntimos do narrador. E então o monólogo interior se firma em palavras que não visam exclusivamente sua interlocutora Anne B., decorrem também de necessidade própria. Francisco resolveu dedicar a vida ao ‘amor/fixação’ que sente por Anne B. A obra narra praticamente tudo do ponto de vista do protagonista, de maneira que é como se o leitor entrasse na mente do personagem, o qual se questiona sobre sua existência e seus propósitos neste mundo. Tal personagem, com sua introspecção e suas observações pertinentes sobre o mundo que o cerca, levam o leitor a reconsiderar suas próprias perspectivas. Trata-se, assim, de uma literatura marcada por um questionamento existencial, em que o tom de perplexidade e a busca de definições delineiam a linha filosófica que percorre o texto. Configura-se uma personalidade presa de irremediável frustração, que traz em si reservas inesgotáveis de amargura e negação. O sentimento que devota à Anne B., é centrado em uma espécie de obsessão, onde afloram desvios de conduta, medo, e uma agonia latente em possuí-la. Ele vive dilaceradamente a dor, a percepção de sua própria imperfeição e a busca de uma perfeição completamente idealizada. Paralelamente a uma tal situação, Francisco tem a obsessão da intimidade de Anne B, fareja aventuras sexuais dela, vê em tudo manifestações eróticas e vestígios de posse. O trauma da repulsa sexual de Anne B. e o conseqüente sentimento de frustração estão marcados por uma violenta fixação fálica ligada diretamente ao recalcado, e ao abafamento psicológico da narrativa. Imerge finalmente da narrativa, uma angustiante crise psicológica que o comprime e faz dele um ser alucinado, e preso a um irremediável desespero surdo, cerrado e profundo. Esse perpassar de fronteiras psicológicas suscita reflexões no leitor no sentido de captar as múltiplas reverberações de seu significado, e nos permite afinal, conhecer em profundidade quem é Anne B. O efeito de circularidade que marca o original e insuspeitado desfecho da obra reforça o mais amplo sentido do amor como “mola mestra” da vida, embora sob o fogo cruzado de individualidades tão diferenciadas. A literatura, quando regada com penetrantes toques de psicologia e filosofia, é algo que faz o leitor mergulhar e compreender melhor a si mesmo pois tais personagens são tão vívidos e reais que é como se estivéssemos travando proveitosos diálogos com eles. Quando encontramos um personagem com o qual podemos dialogar durante a leitura, sentimos que a obra deixa em nós aquele efeito residual. Ou seja, a cada releitura será uma nova redescoberta de nós mesmos. Com efeito, a tessitura narrativa deste romance é de tal sorte calculada, que à proporção que o texto avança a utilização do “eu” acaba por ter a força expressiva de um “você”, ou a referência a “você”, projeta e demarca também a presença do eu. Não é assim o tal do amor? Ou ao menos como gostaríamos que ele fosse? Uma questão de forma? Sim, talvez a “delicadeza da forma” que poderia moldar o amor. Essa a mais incisiva mensagem desse excepcional romance de uma autora com potencial para demarcar espaço próprio dentro da Literatura Brasileira Contemporânea. Krishnamurti Góes dos Anjos Escritor e crítico literário. Disponível para compra e pronta entrega em: https://www.editorapenalux.com.br/loja/anne-b-sobre-a-delicadeza-da-forma?tag=Lampejos&page=2

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