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    Crocodilo -

    Javier Arancibia Contreras

    Companhia das Letras
    2019
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535932812
    Português Brasileiro
    4.2
    444 avaliações
    Leram555Lendo14Querem613Relendo1Abandonos8Resenhas78
    Favoritos41Desejados613Avaliaram444

    Uma narrativa singela e emotiva sobre a construção da família, da relação pai-filho e das mudanças que o amadurecimento traz para a vida de todos nós. Hoje, meu filho Pedro pulou da janela do seu apartamento. Assim começa o romance de Javier A. Contreras, um relato ágil e surpreendente sobre o suicídio e a angústia dos que permanecem. Ao contar a história dos sete dias que se seguem à morte de Pedro, o autor embarca em uma narrativa única, que aborda temas como a relação pai-filho, o caos do mundo moderno e as expectativas que nutrimos e frustramos no decorrer da vida. Com uma linguagem moderna e de ritmo fluido, os sentimentos de Ruy, pai de Pedro, são trazidos à superfície em um misto de raiva e desolação. Ao perder o único filho, Ruy reavalia não só sua relação com a paternidade, mas com todo o mundo a sua volta.

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    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião19/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crocodilo [2019] Javier A. Contreras (BA, 1973-) Cia. das Letras, 2019, 182p. 📖 Seria lindo acabar o ano com uma leitura leve, mas... como Marido já fez questão de apontar certo dia enquanto escolhia algo pra ler de minha estante: "Avemaria, aqui só tem desgraça". Há muita verdade no exagero, por mais que, no caso de Crocodilo, tenha sido livro recebido via parceria e, portanto, fora de meu controle aquisitivo. De uma maneira ou de outra, não é de surpreender que haja tanto livro triste na estante de um melancólico, o que surpreende é o melancólico quase não ter conseguido terminar este romance do Javier Contreras. 📖 O livro é pesado, pesadíssimo, com uma voz narrativa bem construída (complexa e, às vezes, indesculpável) de um pai que perde seu filho de 28 anos para o suicídio. Pra falar a verdade, por um momento o livro quase me perdeu, achei que cairia no moralismo fácil que tenta justificar o ato como resultante de um processo depressivo ou traumático. Mas como adverte o autor com a epígrafe escolhida para o romance (citando Camus)—“só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”—não há soluções fáceis para o tema, e o livro, ciente disso, acaba por não ser a história de um suicida, mas o processo de angustiada sobrevivência de quem fica, o narrador Ruy e a mãe do Pedro, Marta. 📖 Nesse sentido, o feito de Contreras é louvável: ressentido, raivoso, delicado, transformador. Minha única crítica ficará por conta de um capítulo bem no meio do livro em que o pai, desesperado por compreensão, lista vários suicidas célebres da história seguidos dos números alarmantes de casos nos dias de hoje: o trecho peca pela obviedade, não parece contribuir muito para o desenvolvimento da personagem ou da narrativa, e ativa gatilhos. Nada disso, no entanto, é capaz de tirar a força deste livro que fala de um tabu social que precisa ser discutido sem estigmas. Ainda que não recomende ao mundo todo, guardarei a ousadia deste Crocodilo entre as leituras que, para o bem e para o mal, mais me marcaram este ano. Considerando 2019, a imagem do animal-título ao final do romance carrega, silenciosamente, uma nota de esperança.

    27 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 444
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Javier Arancibia Contreras profile picture

    Javier Arancibia Contreras

    Tem 35 anos e foi repórter policial em São Paulo (SP). Saiu da redação policial para trabalhar como livreiro, desenvolver roteiros de cinema e escrever seus romances. Estreou com o livro-reportagem Plínio Marcos — A crônica dos que não têm voz, publicado pela Boitempo em 2002, escrito em parceria com Fred Maia e Vinicius Pinheiro. Na sequência, publicou Imóbile, pela editora 7Letras, que lhe entre os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009. O projeto do livro O dia em que eu deveria ter morrido foi premiado pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2009, e publicado em 2010 com o apoio do governo de São Paulo.

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    Javier Arancibia Contreras