Essa com certeza foi uma leitura pessoal, repleta de momentos complexos e dificultosos, não houve um minuto sequer que as palavras do autor não me fizeram refletir e relembrar de momentos onde o mundo a minha volta não entregou palavras cruéis ou delegaram papéis completamente injustos por conta da minha orientação sexual.
Ser um homem gay racializado tem suas especificidades, mas não dá para deixar encoberto a necessidade desse livro para toda a nossa comunidade. Apesar de que alguns termos estão desatualizados, como a antiga sigla GLS, ainda temos a reafirmação de dados que comprovam que a saúde mental de indivíduos que fazem parte da comunidade são extremamente maiores que o da sociedade heterocêntrica. A heteronormatividade é um projeto nocivo à nossa vida individual, portanto, vira um assunto coletivo e social.
Esse livro me ensinou a olhar para mim de uma maneira acolhedora, aliado com a terapia, me trouxe um alívio em reafirmar todas as vezes que falei para mim mesmo que eu não valia nada, que eu era inútil, estupido, irresponsável, burro, feio, injusto ou qualquer outro cenário punitivo que os outros encucaram nas minhas crenças sobre mim mesmo. Somos forças de resistência por tentarmos nos amar, por isso um abraço e um beijo é um simbolismo, é um desafio a tudo aquilo que nos ensinaram, é o contrário.
Tomemos a nossa própria narrativa, nos amemos com a importância que temos!