Luanda, Lisboa, Paraíso -

    Djaimilia Pereira de Almeida

    Companhia das Letras
    2019
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788535932690
    Português

    Em seu segundo romance, Djaimilia Pereira de Almeida narra a saga de Cartola e Aquiles, pai e filho que deixam Angola em busca de um tratamento médico em Portugal nos anos 1980. Um livro sobre descolonização e pertencimento, da mesma autora de Esse cabelo. Luanda, Angola, anos 1970. Fruto de um parto com complicações graves, Aquiles nasce com uma má-formação que lhe dita o destino e o nome. A promessa de cura reside em uma cirurgia que somente pode ser realizada em Portugal, e até que ele complete quinze anos. Com o fatídico aniversário em vista, Aquiles e o pai, Cartola, partem para Lisboa, crentes de que será uma viagem passageira e de que eles serão recebidos como verdadeiros cidadãos portugueses. Na capital, sentem na pele o preconceito de serem imigrantes da ex-colônia enquanto o regresso a Angola torna-se cada vez mais distante. Autora do aclamado Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida constrói com estilo e sensibilidade ímpares uma narrativa — ora triste, ora esperançosa — sobre a diáspora, as relações entre pais e filhos e a constante busca por afeto humano. "Este romance o levará da angústia à melancolia, da esperança vã à desesperança, passando pelo desespero. Como é possível que este arco dramático do nada ao nada seja encantador comprova-se pelo talento indiscutível de Djaimilia Pereira de Almeida em amar seus personagens e nos fazer amá-los também, a despeito de seus contínuos defeitos, perdas e frustrações." — O Estado de S. Paulo "Imaculadamente escrito." — Expresso

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    Berttoni Licarião16/12/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O filho de Glória e Cartola, Aquiles, nasce com um calcanhar deformado numa Luanda em luta pela independência de Portugal. Os médicos advertem: antes dos 15 anos é preciso operar. A família se empenha: antes dos quinze, será preciso levá-lo a Lisboa para a cirurgia. As condições financeiras, no entanto, não favorecem a mudança de todos, e a família se divide: filha e mãe ficam em Luanda, pai e filho partem para Portugal. . Esse seria, em linhas gerais, o pontapé narrativo do segundo livro da Djaimilia Almeida, autora de “Esse cabelo” (2015). Com “uma perna lá, outra cá”, Portugal e Angola, o romance surpreende a cada capítulo, complexo em sua representação da imigração, contundente e mágico na tentativa de falar sobre diferentes formas de pertencimentos (afetivos, familiares, territoriais, identitários). O calcanhar, a propósito, parte que permite ao corpo uma conexão direta com a terra sob os pés, guarda uma chave de leitura explícita: a condição anatômica de Aquiles lhe garante ligações continuamente falhas, incompletas, seja em relação ao lar materno, seja na vida encontrada a duras penas em um bairro pobre da capital portuguesa. . A prosa de Djaimilia promete transformações até o último instante -- um final, inclusive, que abandona a narrativa muito mais que a encerra (mas não somos todos, enfim, narrativas em constante abandono?). Vocês já sentiram, ao entrar num livro, a sensação de pisar em território sagrado? Algo como um espaço de devoção e muita energia no qual as palavras parecem ter peso ou força mística? Esse sentimento me acompanhou por toda a leitura, alegretriste: há uma solenidade inexplicável em cada parágrafo desta história -- em cada carta, telefonema, visita, sonho dormido e sonho acordado. . Apesar das injustiças politicamente inerentes à condição do imigrante, há inúmeros paraísos possíveis no coração desta história. Vencer o prêmio Oceanos deste ano foi apenas um deles, merecidíssimo.

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