Carlos Augusto Viana sabe que é um artesão da palavra e do verso. A lapidação da palavra pela escrita para arrancar o silêncio que se esconde aquém e além do significante é o caminho de sua escritura. Ele reintroduz o vazio em torno do qual giram as palavras, o que nos faz lembrar da barra, que caracteriza o conceito lacaniano de significante, cuja estrutura é a mesma da linguagem. E uma das marcas dessa estrutura é o hiato que se abre entre as ordens do significante e significado. Essa barra, entre o significante e o significado, circunscrevendo o limite do não ultrapassável a apontar para a existência do real: o impossível que não cessa de comparecer e que resiste à simbolização.